O Presidente da República, Cavaco Silva, confirmou hoje, nas Caldas das Rainha, que o Governo já lhe forneceu as informações que solicitou "sobre as Estradas de Portugal". O chefe de Estado fez esta declaração à margem da sua visita à Escola de Sargentos do Exército nas Caldas da Rainha.
Questionado sobre se o pacote das obras públicas previsto pelo Governo seria uma boa forma de tirar o país da crise, o Presidente declarou: "Embora este não seja um tema que esteja aqui presente, na Escola de Sargentos do Exército, eu não quero deixar a dúvida, e portanto digo-vos que o Governo já me forneceu informação sobre as Estradas de Portugal". "Informação que eu tinha solicitado", acrescentou.
Cavaco Silva reconheceu que "acompanha com o maior cuidado a evolução da situação económico-social no país", mas não se quis alongar sobre o assunto porque "este é o tempo de confronto entre as forças políticas". "O Presidente da República, pelo seu compromisso de isenção em relação a todas as forças partidárias, deve abster-se, neste momento, de fazer comentários porque, de outra forma, podia parecer que estava a interferir no combate político", esclareceu.
Inquirido sobre se fazia essa avaliação em privado no seu gabinete, afirmou: "Isso, não tenha nenhuma dúvida". "Faço também essa avaliação nas conversas que tenho com o senhor primeiro-ministro, trocando impressões sobre as matérias que se prendem com a política interna e externa do país e, na situação actual, é óbvio que as questões económico-sociais não podem deixar de ocupar uma posição de destaque", acrescentou.
Crise preocupante
Inquirido sobre se considera a actual crise preocupante, Cavaco Silva disse que "todos os analistas têm vindo a reconhecer que é preocupante e que o mesmo acontece com as organizações internacionais que analisam a nossa economia e as questões sociais". "Mas não é só preocupante entre nós, o mesmo acontece em vários outros países, a começar pela nossa vizinha Espanha", afirmou.
Relativamente à subida das médias nos exames nacionais de matemática, o Presidente da República manifestou a sua satisfação e considerou-a uma "boa notícia". "A matemática é da maior importância para a formação dos nossos jovens", disse. "Eu próprio fui um bom aluno a matemática", afirmou, sublinhando que ficava decepcionado quando tomava conhecimento da prevalência de notas negativas. "Por isso, não posso deixar de ficar satisfeito quando leio nos jornais que os nossos alunos estão a apresentar melhores resultados", disse.
Interrogado sobre se no seu tempo os exames eram tão fáceis como o deste ano, disse, sorridente: "Eu não posso avaliar, mas se fosse resolver o ponto era capaz de conseguir uma nota razoável".


