Católicos querem comparar propostas para não traírem consciência na hora de votar 
21.07.2009 - 08:13 Por Nuno Simas
Antes das legislativas de 2005, lançaram uma carta aberta aos eleitores apelando ao voto com "discernimento responsável". A preocupação era com o aborto, os casamentos homossexuais ou a adopção por casais gays, por exemplo. Hoje, passados mais de quatro anos, o referendo ao aborto e o adiamento dos projectos fracturantes dos casamentos homossexuais para a próxima legislatura, alguns dos católicos que assinaram essa carta aberta voltaram a pôr o seu nome numa nova carta aberta. Desta vez dirigida aos partidos.
Agora, querem respostas para o eleitor cristão não "trair a sua consciência no acto de votar". Querem saber o que pensam sobre a "defesa e a protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem-mulher". Ou o que pensam do "respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas". Podem ser menos explícitos do que no anterior documento, mas as questões, no fundo, são as mesmas, a que se juntam outras preocupações, como o testamento vital ou as soluções para problemas sociais como o desemprego ou o combate à corrupção.
"A carta aberta é um contributo para que as opções dos partidos sejam mais transparentes sobre matérias de grande importância para todos os cidadãos e não só para os católicos", justificou ao PÚBLICO Mário Pinto, porta-voz do grupo de mais de 60 personalidades que lançaram a carta aberta de católicos aos partidos. E servirá para os eleitores fazerem as suas escolhas - "escolhendo uns e recusando outros".
Matilde Sousa Franco apoia
O documento tem o título "Votar em liberdade de consciência tranquila" e é assinado por personalidades como o ex-ministro Bagão Félix, o médico Gentil Martins, o professor universitário Fausto Quadros, a advogada Isilda Pegado ou o economista João César das Neves. Braga da Cruz, reitor da Católica, António Pinheiro Torres, advogado e da Federação Portuguesa pela Vida, e a deputada independente Matilde Sousa Franco, eleita pelo PS, são outros dos subscritores.
Mário Pinto justifica que este grupo de pessoas está "em sintonia" com os bispos e com a carta pastoral de 23 de Abril, que define "alguns critérios" para "escolher quem possa melhor contribuir para a dignificação da pessoa e a realização do bem comum" - os direitos humanos, a procura de soluções, a situação dos imigrantes e das minorias, a "atenção às carências na saúde e ao exercício da justiça".
"Estas são questões que os eleitores católicos querem esclarecidas. Só no confronto dos programas apresentados com estes critérios para apuramento do sentido de voto (escolhendo uns e recusando outros) é possível ao eleitor cristão não 'trair a sua consciência no acto de votar'", lê-se no texto da carta aberta.
Segundo Mário Pinto, está em aberto o grupo de subscritores vir a tomar uma posição comum, mais tarde, depois de receberem as respostas dos partidos.
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