Caso Freeport: José Sócrates volta a repudiar notícias "difamatórias" contra si 
29.01.2009 - 18:19 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro voltou hoje a repudiar as notícias "difamatórias" que têm sido publicadas pela comunicação social contra si, sobre o seu alegado envolvimento no caso Freeport. A curta declaração de José Sócrates, que denunciou ainda a "campanha negra" feita contra a sua pessoa acusando os jornalistas de usar técnicas de "deturpação e de insídia", foi feita a partir do Palácio de São Bento.
"Já não é a primeira vez que passo por esta provação, ter de enfrentar uma campanha negra e com as técnicas habituais, as técnicas de sempre, as técnicas da deturpação e insídia, com intuito afectar a minha honra e por em causa por em causa minha integridade pessoal", sublinhou, poucos minutos depois das 18h10, hora a que começou a conferência de imprensa, que estava marcada, porém, para as 17h45.
O chefe do Executivo português indicou ainda que, com a nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) - hoje tornada pública e na qual é esclarecido que a carta rogatória inglesa "não contém nenhum facto juridicamente relevante", reiterando que não há arguidos ou suspeitos no processo – “o país ficou a saber que a “investigação não corresponde ao que tem sido divulgado” pelos media”.
Sócrates indicou ainda que o envolvimento do seu nome no caso Freeport se tem revelado um “teste de resistência” e voltou a repetir uma formulação já usada no passado fim-de-semana, quando indicou que não será “desta forma” que o “vencem”. "Sei bem que este é um teste de resistência, mas não é desta forma que me vencem. Em democracia não podem vencer aqueles usam arma da calúnia", afirmou.
O primeiro-ministro esclareceu ainda três aspectos acerca de todo este processo: em primeiro lugar garantiu que a autorização ambiental decorreu de acordo com "todas as normas", em segundo lugar indicou que o projecto "respeitou todas as exigências ambientais que são próprias de uma Zona de Protecção Especial" e, por último, garantiu que a declaração de impacto ambiental não foi sujeita a qualquer espécie de "favorecimento nem outra motivação que não fosse a defesa do interesse público".
José Sócrates aproveitou ainda para indicar que "continuará a dar o melhor" pelo país e que tem "total confiança" nas instituições da justiça, que - sublinhou - , "apurarão toda a verdade".
"Não se justifica nenhuma operação de vitimização", diz PCP
No Parlamento, onde o plenário se voltou a encher logo após a declaração do primeiro-ministro, o PCP foi o primeiro partido a reagir. "Não se justifica nenhuma condenação à partida nem nenhuma operação de vitimização em ano eleitoral", afirmou António Filipe, vice-presidente da Assembleia da República.
Um recado claro para José Sócrates, que acabara de falar em "campanhas negras".
PS defende que Sócrates respondeu com "firmeza"
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou que o primeiro-ministro respondeu com "firmeza às notícias" do caso Freeport e defendeu que, com a declaração de Sócrates, "ficou claro que o Governo está em condições de governar".
Questionado pelos jornalistas no Parlamento se José Sócrates continua a ter condições para governar, o deputado socialista respondeu que "se houvesse alguma dúvida" ela tinha sido "esbatida" pela intervenção do chefe do Governo, hoje à tarde.
O porta-voz do PS elogiou ainda a "postura de firmeza" com que José Sócrates tem respondido às notícias do caso Freeport.
"Ficou claro que o Governo está em condições de governar o país nesta situação difícil, o primeiro-ministro tem feito o necessário", acrescentou.
Vitalino Canas disse ainda que o comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR) "é uma peça importante" porque "estava a criar-se um ambiente de que existia algo de novo" sobre o primeiro-ministro.
Para o socialista, o comunicado da PGR contraria com "clareza" esse ambiente e deixa "muito claro que o primeiro-ministro estará disponível para responder [perante a Justiça] sempre que for necessário".
CDS-PP e PSD não comentam declarações de Sócrates por estar em curso investigação
O líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, e o porta-voz do CDS-PP, Pedro Mota Soares, recusaram hoje comentar as declarações do primeiro-ministro sobre o caso Freeport alegando que está em curso uma investigação judicial.
Paulo Rangel disse no Parlamento que não faria "qualquer comentário adicional" ao que já tinha feito ontem, dia em que assegurou que o PSD mantinha a confiança institucional em José Sócrates.
"Nós somos fiéis ao nosso princípio. À justiça o que é da justiça, à política o que é da política", afirmou pelo seu lado Pedro Mota Soares, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
Alegando que está em curso uma investigação judicial, e que "os políticos devem respeitar" a separação dos planos, o deputado disse que só se pronunciava sobre "matérias políticas" e deu o exemplo do debate o Orçamento suplementar.
"A sua obrigação [do primeiro-ministro] era estar na Assembleia da República a dar a cara por um orçamento que prova o fracasso da política económica", afirmou, recusando mais comentários.
Os Verdes acusam Sócrates de estar a "vitimizar-se"
O Partido Ecologista "Os Verdes" afirmou hoje que "não há motivos" para a demissão de José Sócrates mas acusou o primeiro-ministro de estar a "vitimizar-se" e a tentar "a tese da cabala" no caso Freeport.
"Não há motivos para justificar uma queda do Governo, nem para haver consequências políticas", afirmou aos jornalistas o deputado d'"Os Verdes" Francisco Madeira Lopes no Parlamento.
"A declaração [de José Sócrates] quase não se percebe porque não traz nenhum dado radicalmente novo", referiu Madeira Lopes, acrescentando que "o objectivo do comunicado" de Sócrates é a "vitimização e a tese da cabala".
Notícia actualizada às 20h15
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