Caso Freeport: António Cluny apela à "contenção de todos os intervenientes"

27.02.2009 - 20:37 Por Lusa
O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) defendeu hoje que é "de toda a conveniência que a estratégia do processo e o desenvolvimento das investigações não decorram na praça pública". O presidente do sindicato, António Cluny, apelou "à contenção de todos os intervenientes".
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ não quiseram tecer qualquer comentário sobre a posição tornada hoje pública pelo advogado António Pragal Colaço, mandatário dos três inpectores da Polícia Judiciária que integram a investigação do "caso Freeport".
Em comunicado, três investigadores da PJ que trabalham no "caso Freeport" garantem que o processo "não esteve parado durante três anos", realçando que foram feitas "inúmeras diligências de busca entre 2005 e 2008".
Em nome daqueles investigadores da PJ, Pragal Colaço refere que, em Junho de 2008, o "processo tinha nove volumes e 230 apensos".
"Não corresponde à verdade que o processo Freeport tenha estado parado durante três anos", assegurou o advogado.
Das "iniciativas processuais preliminares realizadas resultou a necessidade de se proceder a inúmeras diligências", sublinha também o causídico.
Como tal, explicou Pragal Colaço à Agência Lusa, é "impossível concluir que se fizeram mais diligências nos últimos 15 dias do que em quatro anos", porque estas "só podiam ser realizadas após uma análise cuidada, morosa e ponderada, de cruzamento de informação, de dezenas de milhares de documentos."
O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, afirmou a 21 de Fevereiro, em declarações à comunicação social, que "foram feitas mais diligências nestes dias do que em quatro anos".
O processo relativo ao espaço comercial Freeport de Alcochete está relacionado com alegadas suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, quando era ministro do Ambiente José Sócrates, actual primeiro-ministro.
Neste momento, o processo tem dois arguidos: o empresário escocês Charles Smith e o seu antigo sócio numa empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial.

