O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, assumiu ontem num encontro com o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, uma "determinação fortíssima em fazer uma grande mobilização dos trabalhadores". Questionado pela TSF se estava a falar de uma greve geral, Carvalho da Silva não fechou a porta a essa possibilidade: "Decidiremos em função das condições concretas e daquilo que for o desenrolar dos actos do ponto de vista da governação e da vida política no nosso país."
Em causa estão as medidas de austeridade impostas pelo Governo de José Sócrates com o objectivo de controlar o défice. A mobilização seria, de acordo com Carvalho da Silva, a única forma de travar medidas de "uma violência inaceitável".
Durante as conferências de imprensa realizadas após o encontro, e depois de lembrar a manifestação já agendada, o secretário-geral da CGTP afirmou ser necessário fazer algo mais. "Faremos com certeza uma grande manifestação no próximo dia 29 em que, para além do protesto, da denúncia das injustiças (...) é preciso mobilizar a sociedade para não se submeter a estas inevitabilidades e afirmarmos propostas alternativas."
Carvalho da Silva considerou que os "sacrifícios impostos às pessoas" não oferecem "o mínimo de garantias em relação a dois aspectos: quando terminam esses sacrifícios e o mínimo de certeza de que o futuro será melhor". "É o Governo que reconhece que as medidas adoptadas produzirão efeitos negativos do ponto de vista da situação económica do país", comentou.
Também Jerónimo de Sousa defendeu a necessidade dessa mobilização dos trabalhadores. "Esta grave ofensiva, nunca vista nestes mais de 30 anos de regime democrático, visa em nome da crise fazer pagar os trabalhadores por esta situação", disse. Era, por isso, necessária uma "resposta dos trabalhadores", para cuja mobilização o PCP dará "o seu empenhamento".
O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que apoiou as medidas tomadas pelo Governo, já reagiu a estas declarações argumentando que uma greve geral só iria piorar a situação. "Espero que esse cenário [de greve geral] não ocorra", afirmou ontem, à saída de uma conferência do Instituto para a Promoção da América Latina, que decorreu em Lisboa.
"Nós sabemos que estamos a atravessar um tempo difícil em Portugal, não há dúvida, e haverá muita gente que tem direito a manifestar a sua insatisfação com a situação que estamos a viver", começou por reconhecer. Mas depois manifestou preocupação com a possibilidade de uma greve geral. "Creio que um cenário de instabilidade social, que pudesse também ser gerado com greves gerais que viessem a ser decretadas, só iria avolumar o problema à maior parte dos portugueses e ao país e não criaria nenhum clima mais favorável para o resolver."
Também o CDS reagiu: "O direito à greve é constitucional e legítimo. O mais importante neste momento é que Portugal atravessa um momento difícil. Um dos nossos maiores problemas é a baixa produtividade. Isso não se resolve recorrendo a greves", afirmou o deputado centrista Pedro Mota Soares.


