Autárquicas

Carrilho e Carmona trocam acusações em debate televisivo

16.09.2005 - 08:14 Por Lusa

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No final do debate, Carmona Rodrigues aproximou-se de Carrilho, estendendo-lhe a mão para o cumprimentar, mas este recusou o aperto de mão No final do debate, Carmona Rodrigues aproximou-se de Carrilho, estendendo-lhe a mão para o cumprimentar, mas este recusou o aperto de mão (João Relvas/Lusa)
Os candidatos à presidência da Câmara de Lisboa do PSD, Carmona Rodrigues, e do PS, Manuel Maria Carrilho, travaram ontem à noite um debate televisivo, na SIC Notícias, marcado pela agressividade verbal e por sistemáticas trocas de acusações.

Moderado pelo jornalista João Adelino Faria, o frente-a-frente televisivo teve um desfecho insólito, mas que acabou por traduzir o ambiente da anterior hora e meia de discussão entre Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues.

Carmona Rodrigues (já de pé e pronto para abandonar o estúdio da SIC) aproximou-se de Manuel Maria Carrilho, estendendo-lhe a mão para o cumprimentar, mas este recusou o aperto de mão.

"Ordinário", desabafou Carmona Rodrigues, dirigindo-se ao ex-ministro da Cultura de António Guterres que, entretanto, lhe tinha voltado as costas.

Logo na sua intervenção inicial, Carmona Rodrigues disse estar a ser vítima "de insultos de carácter pessoal" por parte de Manuel Maria Carrilho, desafiando depois o candidato socialista a repeti-los "cara a cara".

"Quem não tem hábitos democráticos, não consegue ouvir os outros", ripostou o candidato do PS, dizendo que a sua primeira medida, se for eleito presidente da câmara, "será a de cancelar todos os contratos da autarquia para auto-propaganda".

"Em Lisboa houve um despesismo descontrolado", apontou Manuel Maria Carrilho, dizendo que só o estudo prévio do arquitecto Frank Gery para o parque Mayer terá custado 2,5 milhões de euros.

"Quem gasta em propaganda é Manuel Maria Carrilho, que espalhou pela cidade mais de 250 'outdoors' muitos meses antes das eleições", contrapôs o candidato apoiado pelo PSD, argumentando depois que as despesas da Câmara de Lisboa com publicidade "têm baixado".

Ainda na discussão sobre qual dos dois candidatos é mais despesista, Carmona Rodrigues fez uma alusão ao preço da umas obras numa casa de banho do Ministério da Cultura, que terão sido realizadas quando Manuel Maria Carrilho tutelava esta pasta no Governo de António Guterres.

Carrilho mostrou-se indignado "com a calúnia" e referiu a Carmona que essa polémica foi a tribunal, tendo saído do processo "completamente ilibado".

"Quanto pagou pela casa de banho?", insistiu o candidato apoiado pelo PSD, o que levou o socialista a elevar o seu tom de voz, atacando o social-democrata.

"O nível da sua argumentação revela bem o seu carácter", reagiu.

Carmona Rodrigues e Manuel Maria Carrilho voltaram a trocar acusações graves no final do debate, depois de o socialista ter acusado o candidato apoiado pelo PSD de ter "perdido toda a credibilidade ao prometer empregos pós-eleitorais".

Manuel Maria Carrilho disse mesmo que o caso demonstra que se está perante "um verdadeiro mensalão" (caso de corrupção em investigação no Brasil) e que essas promessas de Carmona Rodrigues haviam sido feitas aos dirigentes do Partido da Nova Democracia, Manuel Monteiro e Jorge Ferreira.

"Isso é uma calúnia e não lhe admito", reagiu Carmona Rodrigues, contrapondo que o arquitecto Manuel Salgado se afastou da lista de Manuel Maria Carrilho alegando "falta de carácter" da parte do candidato do PS à presidência da Câmara de Lisboa.

Mesmo na última pergunta feita pelo jornalista aos dois candidatos - sobre que partido cada um teria como parceiro privilegiado se vencesse as eleições -, se manteve a tensão.

"Se for eleito presidente da Câmara, vou servir Lisboa e não servir-me dela como fizeram Pedro Santana Lopes e Carmona Rodrigues", afirmou Manuel Maria Carrilho.

"Blasfémia, isso não aceito", ripostou o candidato apoiado pelo PSD.

Na discussão de temas como a educação, reabilitação urbana, cultura, construção do túnel do Marquês de Pombal, ou gestão de empresas municipais, o candidato do PS acusou o actual executivo camarário de paralisia.

Manuel Maria Carrilho acusou igualmente o executivo camarário de ter concedido a alguns dos seus principais colaboradores "privilégios inacreditáveis" em termos salariais.

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Carrilho e Carmona trocam acusações em debate televisivo

Independentemente das razões que assistam a qualquer um dos candidatos, a arrogância e a vaidade ...

Anónimo

17.09.2005 17:02

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