Carnaval: Louçã defende que tolerância de ponto é “um direito” e não “um baile”

04.02.2012 - 19:41 Por PÚBLICO
O coordenador do BE, Francisco Louçã, defendeu neste sábado que a tolerância de ponto no Carnaval é “um direito das pessoas, não é um baile”, e que é precisa uma economia em que as pessoas que trabalham tenham direitos.
Passos Coelho anunciou na sexta-feira que o Governo não dará tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval. Para o primeiro-ministro, “ninguém perceberia” que houvesse tolerância de ponto no Carnaval numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados, como é o caso das pausas no 5 de Outubro (implantação da República) e 1 de Dezembro (Restauração da Independência)
Louçã chegou 24 horas depois ao coro de reacções que se seguiu a este anúncio. “A existência de uma tolerância de ponto, de um dia em que não se trabalha no Carnaval, é um direito das pessoas, não é um baile, é um direito das pessoas fazerem o que querem, é um dia em que não são obrigadas a trabalhar de graça pela força do Governo”, afirmou Louçã.
O líder bloquista falava aos jornalistas, em conferência de imprensa, em Lisboa, antes do final da reunião da mesa nacional do Bloco, o órgão máximo entre convenções. “O feriado de 5 de Outubro ou outros feriados comemoram datas, mas são também dias consagrados de descanso dos trabalhadores, que trabalham todo o ano e que puxam pela economia deste país e que sabem o que é trabalhar duro”, sublinhou.
Sobre a decisão do Governo em não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval, Francisco Louçã defendeu que “o Governo não está preocupado em melhorar a economia do país. O Governo está a piorar todos os dias a economia do país”, argumentou.
Para o Bloco, “o problema da economia do país chama-se troika, chama-se Governo, chama-se PSD e CDS, chama-se destruição económica, chama-se obrigar as pessoas a viverem pior, multiplicar a miséria”.
A terça-feira de Carnaval comemora-se este ano a 21 de Fevereiro. Passos Coelho, em defesa da decisão do Governo, sublinhou na sexta que a terça-feira de Carnaval “não é um feriado”, embora tenha sido habitual dar tolerância de ponto aos funcionários públicos nesse dia.
Em 1993, o então primeiro-ministro Cavaco Silva decretou que a terça-feira de Carnaval, nesse ano não daria direito a tolerância de ponto, o que sucedeu pela primeira vez em 23 anos. “Lembro-me dessa altura e de como foi difícil na altura para ele [Cavaco Silva], que quis fazer isso”, recordou Mário Soares, depois do anúncio de Passos Coelho.
A CGTP considera a decisão do Governo “uma medida inadmissível” que mostra “uma obsessão doentia em tratar mal os trabalhadores”. Outros sindicatos prometem “uma resposta adequada”.
O PCP diz que se trata de “acrescentar mais um dia de trabalho forçado e não pago aos trabalhadores”. Neste sábado, porém, o secretário-geral dos comunistas, Jerónimo de Sousa, admitiu que se o Parlamento funcionar normalmente no dia de Carnaval, os deputados do PCP irão trabalhar.

