A vereadora do CDS-PP na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, pediu ontem ao presidente da autarquia que explicasse a acusação de quebra de lealdade que invocou para terminar a coligação de direita que liderava a câmara. Carmona Rodrigues manteve-se em silêncio durante toda a reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.
"Só o senhor presidente pode efectivamente dizer em que factos o senhor presidente fundamentou a deslealdade", disse Maria José Nogueira Pinto.
Nogueira Pinto desafiou Carmona Rodrigues a explicar os motivos pelos quais decidiu terminar a coligação por considerar que estava em causa o seu nome, que a vereadora disse ter construído "ao longo dos anos na vida pessoal, profissional e política". "Julgo que o mereço", sublinhou.
O deputado municipal do CDS-PP Telmo Correia afirmou igualmente que o presidente da Câmara de Lisboa deveria explicar o fim da coligação à AML. "É assim que se respeitam as assembleias municipais", disse Telmo Correia, que aproveitou para desejar, com ironia, "boa viagem e boa sorte" a Carmona Rodrigues na gestão da câmara, cujo executivo PSD passou a ser minoritário em relação ao conjunto da oposição, devido ao fim da coligação com o CDS-PP.
Carmona Rodrigues não prestou nenhum esclarecimento e não proferiu qualquer intervenção durante a reunião da AML.
Plano de revitalização "é hoje, felizmente, um projecto da câmara municipal"
O autarca lisboeta retirou os pelouros a Nogueira Pinto depois do chumbo, pela vereadora, da nomeação de Nunes Barata para a presidência do conselho de administração da Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Pombalina.
Nogueira Pinto justificou o veto do nome de Nunes Barata com o argumento de que a proposta apresentada em reunião de câmara "não correspondia ao agendado nem ao previamente acordado".
Na reunião de ontem da AML, a vereadora afirmou ainda que a proposta de revitalização da Baixa-Chiado, que coordenou, "é hoje, felizmente, um projecto da câmara municipal e não da vereadora Maria José Nogueira Pinto". "A proposta é hoje um activo da Câmara de Lisboa", sublinhou.
A discussão do projecto de revitalização da Baixa-Chiado na AML estava agendada para a reunião, mas o plano não chegou a ser discutido por falta de tempo.
PS responsabiliza Marques Mendes pelo fim da coligação
Durante a reunião, o deputado municipal socialista Rosa Egipto reafirmou que "o PS não está disposto a aceitar qualquer pelouro ou celebrar qualquer acordo mesmo que pontual", para assegurar com o PSD a governabilidade da Câmara de Lisboa.
Rosa Egipto responsabilizou o presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, e o líder do PSD, Marques Mendes, pelo fim da coligação de direita que governava a Câmara.
O deputado municipal atribuiu a Marques Mendes uma "inaceitável intromissão em assuntos municipais" pela "ingerência" na nomeação do conselho de administração da SRU da Baixa Pombalina.
Pedro Portugal Gaspar, deputado municipal do PSD e apoiante de Luís Filipe Menezes, acusou, na quarta-feira passada, Marques Mendes de pressionar o presidente da Câmara de Lisboa para retirar o convite que lhe fizera de integrar o conselho de administração da SRU da Baixa Pombalina.
O deputado municipal do PCP Modesto Navarro também considerou que a coligação de direita na Câmara de Lisboa terminou em consequência de "um processo que denota fragilidade, arrogância, jogos de poder e ingerências inaceitáveis".
O deputado municipal do Bloco de Esquerda Carlos Marques reafirmou, por seu turno, que a sua força política continuará na oposição na autarquia lisboeta, não aceitando qualquer pelouro.


