Carlos Encarnação: directas no PSD para daqui a um mês são uma “precipitação grande”

18.04.2008 - 10:53 Por Lusa
O social-democrata Carlos Encarnação considerou hoje que a proposta de convocação de eleições directas no PSD para 24 de Maio constitui “uma precipitação grande”, defendendo um prazo mais alargado.
“Não querendo o dr. Luís Menezes ser candidato outra vez, tenho a impressão que era prudente que o Conselho Nacional [do PSD] desse um prazo mais alargado para a apresentação de candidaturas e para o recurso às eleições directas”, disse hoje à Lusa Carlos Encarnaçção, presidente da Câmara de Coimbra.
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, anunciou ontem à noite que vai pedir ao Conselho Nacional a convocação de eleições directas para 24 de Maio, às quais, disse, não tenciona recandidatar-se.
O autarca de Coimbra recordou hoje declarações por si proferidas na quinta-feira de manhã, quando considerou que Luís Filipe Menezes “tinha condições” para levar o mandato até ao fim, para vincar que “é uma precipitação grande marcar eleições para 24 de Maio”.
“Apenas quem está a liderar o partido tem condições para disputar eleições, qualquer outro candidato terá dificuldades. Não se pode conquistar o poder num partido com uma equipa reunida à pressa”, salientou o antigo presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD.
Partido “muito rico em personalidades”
Carlos Encarnação disse ainda não o ter surpreendido a decisão de Luís Filipe Menezes e considerou que o partido “é muito rico em personalidades” e tem figuras de “grande carisma nacional” e de “grande qualidade intelectual e política” capazes de o liderar.
“Não me incomoda que haja vozes críticas, sempre houve. Um líder tem de conviver com a crítica, tem de fazer com que as diferenças de opinião acrescentem ao partido e não o diminuam”, disse Carlos Encarnação, comentando a oposição interna a Luís Filipe Menezes.
Neste contexto, o presidente da Câmara de Coimbra fez a distinção entre críticas com base em “políticas alternativas, fundamentadas”, e “uma oposição feita apenas para denegrir a imagem das pessoas”.
Na sua perspectiva, “um partido que está na oposição tem sempre uma situação difícil: qualquer partido tem de saber viver com isso e preparar a sua alternativa”.
“As pessoas devem actuar com muita cabeça e seriedade. Não pode haver precipitações, ligeirezas. Quem quer construir uma alternativa está obrigado a construir soluções muito sérias, que integrem o maior número de pessoas, dentro e fora do partido”, afirmou ainda Carlos Encarnação.

