Prisões

Capelães sentem dificuldades crescentes com detidos mais jovens e agressivos

27.01.2012 - 15:42 Por Lusa

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Os capelães das prisões estão a enfrentar dificuldades crescentes no seu trabalho ao serem confrontados com detidos cada vez mais jovens e mais agressivos, disse hoje à Lusa o coordenador nacional da Pastoral Penitenciária.

"Hoje a população prisional é diferente daquela que existia há 15 anos. É muito mais jovem e existe um outro perfil de preso", mais violento, salientou João Gonçalves.

No primeiro dia do VIII Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária que hoje começou em Fátima, o padre destacou que a maior faixa etária existente nos estabelecimentos prisionais não ultrapassa os 35 anos.

"Muitos surgem da rua, de instituições, não vêm das famílias", explica, acrescentando que a solução para as dificuldades que resultam da nova realidade prisional, garantiu, "passa sempre pelo diálogo".

A falta de tempo para assegurar um acompanhamento regular e mais dedicado ao detido é outro dos problemas elencado por João Gonçalves.

Existem tantos capelães como prisões no país, ou seja 52, informou o coordenador nacional da Pastoral Penitenciária, revelando que os padres são alvo de uma formação especial para uma missão que exige "ter jeito, preparação e entusiasmo".

O sacerdote defendeu que o trabalho do capelão passa por dar esperança, mas pela passagem de uma ideia muito simples junto do detido: "nenhum preso irá reconstituir a sua vida pessoal e social se primeiro não se reconstituir no seu coração e na sua consciência".

Afinal, "tem que compreender o mal que praticou, fazer as pazes com os crimes que cometeu, assumir que roubou, prejudicou, assaltou ou que matou", resumiu.

A caminhada, admitiu, "pode demorar meses ou mesmo anos, mas há momentos fantásticos e maravilhosos como aquele em que uma pessoa ateia nos diz 'Eu acho que acredito em Deus'".

A iniciativa, que termina sábado, é destinada aos capelães e assistentes espirituais e religiosos, colaboradores e voluntários cujo trabalho é realizado no interior dos estabelecimentos prisionais.

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