Candidatos presidenciais respondem a inquérito do PÚBLICO sobre Economia

04.01.2011 - 12:37 Por PÚBLICO
1 - Que papel pode o Presidente da República desempenhar para contribuir para o desenvolvimento económico do país? 2 - Na sua opinião, qual deveria ser a grande aposta estratégica do país para alavancar o crescimento económico?
Aníbal Cavaco Silva
1. O Presidente da República (PR) tem como grande desafio contribuir para a mobilização dos portugueses, numa conjuntura extremamente adversa, através de uma magistratura de influência activa. Sendo ao Governo que compete governar, o PR deve usar todos os meios à sua disposição para influenciar os agentes políticos, económicos e sociais, as empresas, os trabalhadores e os cidadãos em geral a interiorizarem a vontade de levar o País a um novo rumo que combata o flagelo do desemprego e reduza o endividamento externo. A confiança que os diversos agentes, internos e externos, têm no PR é decisiva na captação das boas vontades. Essa confiança é decisiva no exercício de uma magistratura de influência e ela assenta num percurso pessoal e profissional facilmente avaliável por todos, seja no que toca à experiência no exercício de funções públicas, aos conhecimentos adquiridos e a um compromisso permanente com a verdade.
2. O grande desafio do País é o aumento da riqueza e da competitividade, especialmente nos sectores em que concorremos directamente com outros países, pois só assim é possível diminuir o desemprego e conter o endividamento externo. É também dessa forma que combateremos as enormes desigualdades sociais existentes no País. Assim, a grande aposta estratégica é o aumento da competitividade, elevando a nossa capacidade de exportar e de produzir, sendo capazes de substituir algumas importações, de forma a que uma maior percentagem do que consumimos seja produzida em Portugal - caso em que o sector agrícola deve ser um bom exemplo. Nesse sentido, a avaliação que o Presidente da República faça sobre o impacto das diversas medidas públicas no aumento da competitividade é uma forma de exercer a sua magistratura de influência activa.
Defensor Moura
Dependendo a economia de factores tão subjectivos como a confiança e a credibilidade, é ainda mais importante a acção do PR na garantia do regular funcionamento das instituições democráticas, contribuindo para a estabilidade e credibilidade interna e externa dos órgãos de soberania, numa articulação sintonizada com o Governo. Não sou economista, nem me parece que o PR ser economista traga qualquer vantagem para a resolução dos graves problemas da economia nacional. Veja-se o que aconteceu nos últimos anos com tão habilitado protagonista no Palácio de Belém.
Aumentar a produtividade, para reduzir as importações e aumentar as exportações, é um princípio básico que até um médico advoga e que uma boa dona de casa, como diz o dr. Medina Carreira, pode executar com sucesso. Como fazê-lo não faltam receitas que, com maior ou menor rapidez, podem garantir o sucesso.
Tal não será possível, porém, se continuarmos com uma administração pública centralizada que asfixia a criatividade e o dinamismo dos agentes empresariais e, com um pesado sistema judicial que, pela lentidão e ineficácia, acaba por beneficiar os infractores da corrupção e do clientelismo que campeiam impunemente na sociedade portuguesa, com incompreensível tolerância dos poderes instituídos e do cidadão comum, já familiarizado com a cunha, o favorecimento, o negócio paralelo, a fuga aos impostos, o tráfico de influências, as opacidades das parcerias público-privadas e das contrapartidas dos submarinos.
Na Presidência da República não deveria haver absoluta intolerância com estes roedores da credibilidade do nosso sistema democrático?

