Campos e Cunha atribui declarações de Manuel Pinho a “dissonância cognitiva”

04.02.2007 - 00:01 Por José Manuel Fernandes
O primeiro ministro das Finanças deste Governo, Luís Campos e Cunha, considerou fruto de uma “dissonância cognitiva” a invocação pelo ministro Manuel Pinho dos salários baixos como uma “vantagem competitiva” do país.
Ao quebrar o silêncio 18 meses depois de se ter demitido da equipa de José Sócrates, o professor de Economia disse na entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, e que a 2: transmite hoje à noite, que “não bate a bota com a perdigota, andarmos, a falar de salários baixos e ao mesmo tempo de choque tecnológico”.
O antigo ministro cuja saída do Governo criou a primeira crise no Executivo acrescentou porém que o problema pode ser mais fundo: “Se calhar o mal não está naquela frase, está em ter-se andado a propagandear o choque tecnológico. A evolução tecnológica dos países é por definição lenta, logo é o contrário de um choque. Do meu ponto de vista há nesta ideia uma contradição nos seus próprios termos.”
Ao longo de perto de uma hora Luís Campos e Cunha explicou as circunstâncias da sua saída, tendo começado por sublinhar o seu desprendimento relativamente ao cargo (“Fui para o Governo com a predisposição de estar quatro anos, mas também de estar apenas quatro meses”) mas dando a entender que os esses quatro meses nem sempre foram fáceis.
Ao contrário, por exemplo, de muitos antecessores e do seu sucessor, considera-se que saiu de consciência tranquila porque não demitiu “nenhum director geral nem nenhuma administração que estivesse sob a sua tutela”.
(Entrevista transmitida hoje na RR às 12h00 e na 2: às 22h30)

