Campo de Tiro de Alcochete ganha peso como alternativa à Ota

09.06.2007 - 09:20 Por Inês Sequeira, com José Manuel Fernandes e São José Almeida
O estudo patrocinado pela Confederação Industrial Portuguesa (CIP) sobre possíveis alternativas à Ota para a construção do futuro Aeroporto Internacional de Lisboa identificou um local que antes nunca fora estudado, disse ao PÚBLICO Francisco Van Zeller, presidente daquela associação patronal. Este responsável não quis identificar o local, pois comprometeu-se a entregar primeiro o documento ao Presidente da República, mas nos últimos dias têm surgido cada vez mais sinais de que se estará a falar do Campo de Tiro de Alcochete.
Em causa está um terreno com 7500 hectares, plano, que já pertence ao Estado, onde não existirão valores ambientais importantes, situado mais perto de Lisboa e que também é defendido como hipótese a ser analisada pelo ex-ministro socialista Augusto Mateus, contratado pela Naer para estudar o ordenamento do local onde poderá vir a situar-se o aeroporto da Ota.
O estudo encomendado pela CIP foi coordenado por um docente do Instituto Superior Técnico, José Manuel Viegas, e financiado por um conjunto de empresas cujos nomes ainda não foram divulgados. É esse trabalho que será entregue, segunda-feira, às 11h00, ao Presidente da República, precisamente na mesma altura em que estará a decorrer o colóquio organizado pela Assembleia da República (AR) sobre as opções de localização do futuro aeroporto.
A marcação da data e da hora está a ser interpretada como mais um sinal de que Cavaco Silva quer que o tema da Ota não seja discutido apenas num colóquio promovido pela Assembleia. O colóquio, que se vai realizar na Sala do Senado em São Bento, terá entrada livre, contará com a intervenção do ministro Mário Lino e de vários especialistas, estando previstos espaços para debate. Não possui, porém, a formalidade de uma audição em comissão parlamentar e muito menos de um debate em plenário da AR.
Esta mensagem contraria a leitura de José Sócrates, que considerou poder o colóquio satisfazer os apelos do Presidente para que tivesse lugar uma discussão parlamentar sobre o aeroporto. O primeiro-ministro indicou, contudo, que o Governo ouvirá todos os argumentos sobre esta questão e o PÚBLICO sabe que o próprio já conhece as conclusões do estudo encomendado pela CIP.
"Não fui convidado"
A confirmar-se que é o Campo de Tiro de Alcochete o local cujas características, vantagens e desvantagens a CIP quer que possam ser comparadas às da Ota, Francisco Van Zeller não estará sozinho. A mesma opinião é partilhada pelo ex-ministro socialista Augusto Mateus, cujo trabalho sobre a envolvente da Ota será apresentado no final deste mês.
O economista reafirmou ao PÚBLICO que defende uma nova comparação do sítio previsto pelo Governo com outras localizações, caso do Campo de Tiro de Alcochete, algo que ontem defendera numa entrevista ao Semanário Económico. Augusto Mateus considera que é preciso "ganhar qualidade na decisão" e que "temos de ter a melhor análise possível" sobre o futuro aeroporto, cujo calendário aponta para o início de obras em 2009 e abertura em 2017. "A carreira de tiro de Alcochete tem bastante dimensão e, pelas características que tem, é uma hipótese que vale a pena tomar em consideração", disse.
Augusto Mateus era um dos oradores previstos para o colóquio de segunda-feira, mas não sabe se vai estar presente no debate, pois ainda não recebeu um convite formal dos organizadores. "Disseram que me iriam convidar, mas, como até agora não me chegou nenhum convite e tenho reuniões fora de Lisboa, não sei se estarei presente", afirmou.

