Campanha eleitoral regressa aos 308 municípios quatro anos depois da vitória do PSD

29.09.2009 - 10:23
A campanha para as eleições autárquicas de 11 de Outubro arranca hoje nos 308 municípios portugueses, quatro anos depois de o PSD ter ganho a última corrida eleitoral para as câmaras, elegendo 158 presidentes de executivos municipais – 20 em coligação com o CDS-PP, o PPM e o MPT.
Num ano em que se registou uma abstenção de 39,08 por cento, o PS de José Sócrates obteve a governação de 109 municípios, a coligação PCP/PEV, 32, e o CDS-PP e o BE, cada um, um único executivo.
Mantendo sensivelmente o mesmo nível de resultados em relação às eleições autárquicas de 2001, que motivaram a demissão do socialista António Guterres do cargo de primeiro-ministro, o PSD conseguiu permanecer no comando de algumas das maiores câmaras do país, como Lisboa, Porto, Sintra, Cascais, Coimbra e Vila Nova de Gaia, tirando ainda ao PS mais duas capitais de distrito: Aveiro e Santarém.
Na capital portuguesa a candidatura de Carmona Rodrigues ultrapassou os 40 por cento de votos, enquanto que Rui Rio, no Porto, aumentou a margem de vitória face aos socialistas com uma maioria absoluta.
Na Região Autónoma da Madeira, repetiu-se o triunfo da corrida eleitoral anterior, com os sociais-democratas a vencerem nos 11 municípios do arquipélago.
Apesar da vitória, o PSD foi derrotado por dois dissidentes do partido, figuras mediáticas por estarem a ser alvo de investigações judiciais e eleitos como independentes: Isaltino Morais, em Oeiras, e Valentim Loureiro, em Gondomar, que ultrapassou os 60 por cento.
Também Fátima Felgueiras venceu em Felgueiras o seu antigo partido, o PS, depois de regressar do Brasil, onde se tinha refugiado para escapar a uma decisão judicial que lhe decretara a prisão preventiva.
Avelino Ferreira Torres, ex-autarca do CDS-PP e terceiro classificado na corrida à Câmara de Amarante, foi o único protagonista de um processo judicial conhecido a ser derrotado.
Depois do PSD, a CDU (coligação liderada pelo PCP) de Jerónimo de Sousa foi quem mais beneficiou com as eleições de 2005, mantendo-se à frente de capitais de distrito como Setúbal e Beja e recuperando alguns dos seus antigos bastiões municipais, como Marinha Grande, Barreiro, Alcochete e Sesimbra.
Quanto ao PS, dirigentes como Augusto Santos Silva e João Cravinho admitiram a existência de um “voto de protesto” pela política do Governo de José Sócrates, mas o primeiro-ministro e secretário-geral do partido recusou tirar ilações para o executivo da derrota eleitoral, embora tivesse reconhecido que os resultados haviam ficado “aquém das expectativas”.

