Os escultores Rui Chafes e Pedro Cabrita Reis consideram que o busto alegórico da República Portuguesa, criado há cem anos, deve manter-se inalterado.
Rui Chafes considera que "teria de existir um motivo muito forte para mudar o actual busto" e Pedro Cabrita Reis diz que o mesmo deve manter-se "para reforçar a vacuidade dos símbolos".
Em declarações à Agência Lusa, Rui Chafes, 43 anos, sustentou que o busto português "deve manter-se tal como está", ao contrário do que tem acontecido em França, onde a efígie tem sido modificada ao longo dos tempos, inspirada em figuras públicas, como modelos ou actrizes.
"Só um motivo de força maior, "como a instituição de uma monarquia novamente em Portugal", justificaria a alteração do actual busto alegórico, sustenta.
"Não vejo razão para mudar o busto. O facto de ter cem anos não é uma razão forte", sustentou.
Pedro Cabrita Reis defendeu, também em declarações à Lusa, que "deve ficar tudo exactamente na mesma", nomeadamente "o Hino, a Bandeira e também o busto da República".
Caso fosse convidado a criar um novo, Cabrita Reis, 53 anos, fá-lo-ia com gosto - "acho sempre fascinante fazer bustos de mulheres". "Se a Pátria me incumbisse dessa tarefa, não poderia fugir a esse desígnio", comentou.
Em Portugal, artistas como Francisco Santos, Costa Mota e Júlio Vaz criaram bustos alegóricos da República em 1910, mas o mais difundido oficialmente foi o de José Simões de Almeida (1880-1950), conhecido por Simões de Almeida (sobrinho) por distinção do tio, seu homónimo e também escultor.
As comemorações oficiais do centenário da República começam dia 31 de Janeiro, no Porto, e vão decorrer ao longo do ano.


