BPN: Francisco Louçã acusa Vítor Constâncio de ser "mal agradecido" 
11.07.2009 - 08:21 Por Lusa, PÚBLICO
O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, considerou ontem à noite que o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, foi "mal agradecido" ao afirmar que o Parlamento não deveria ter investigado o caso BPN.
Durante um jantar/comício em Viseu para apresentar os candidatos à Câmara e Assembleia Municipal, Francisco Louçã criticou Vítor Constâncio pelas declarações feitas ontem à tarde em conferência de imprensa, "agora que está concluído o inquérito e que o PS, com a sua maioria, decidiu apagar todos os traços de crítica".
Criticou "a supervisão que fechou os olhos, não quis saber e não quis que se soubesse" e lamentou que, "apesar de tudo isso, Vítor Constâncio, contente por ter sido ilibado, aparece agora mal agradecido a dizer que o Parlamento cuja maioria o protegeu nem sequer devia ter feito a investigação que fez".
"Se não fosse o Parlamento, por uma vez, a fazer uma investigação sobre um banco em que os administradores entravam pela porta dentro com sacos abertos para os encher de dinheiro e saíam porta fora, nada se saberia de um dos maiores escândalos financeiros da história portuguesa", sublinhou Louçã.
Na sua opinião, "Vítor Constâncio não queria que se soubesse" o que se passava e explicou porquê: "Porque ele conhecia Oliveira e Costa", que considerava "tão boa pessoa, tão altamente recomendando, ele que tinha sido secretário de Estado do Governo do professor Cavaco Silva".
Afirmou que "essas boas pessoas, esses grandes banqueiros e grandes financeiros estiveram com a mão no bolso dos clientes", lamentando que, quando são apanhados, apareça "sempre alguém como Vítor Constâncio a dizer 'eu não vi nada'" "E se lhe perguntamos porque é que não viu nada, vem depois, como hoje, dizer 'não se devia ter olhado'", referiu.
Ontem à tarde, Vítor Constâncio disse em conferência de imprensa convocada à última hora que as conclusões da Comissão de Inquérito parlamentar à supervisão e nacionalização do BPN "não são credíveis nem objectivas" e acusou as forças políticas de usarem o caso BPN e o Banco de Portugal como arma de combate político.
Vítor Constâncio, reagindo ao documento elaborado pela deputada socialista Sónia Sanfona, considerou ainda que os trabalhos desenvolvidos pela comissão parlamentar ao longo dos últimos seis meses perturbaram o processo de investigação que está a ser conduzido pelo supervisor.
O governador do Banco de Portugal reagiu assim às acusações de que foi alvo ao longo de muitos meses, lançadas pelos vários partidos da oposição por causa do papel da supervisão no BPN, tendo alguns deles chegado a pedir a sua demissão.
O relatório com as conclusões da comissão foi aprovado apenas com os votos a favor do PS. No documento é dito que o banco central poderia ter sido mais "incisivo e mais diligente" no seu trabalho de vigilância.
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