O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considera “absolutamente desequilibrada” a ideia de que o Presidente da República passe a poder demitir o Governo, por acreditar que a medida aproximaria Portugal de “países onde não há regras”.
Em entrevista ao PÚBLICO, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu que, no âmbito de uma revisão constitucional, o Presidente da República ganhe esse poder e que o Parlamento possa substituí-lo através de uma moção de censura construtiva.
Em declarações à Lusa, o dirigente bloquista afirmou que a ideia revela “pouco conhecimento das propostas” e contribui para reforçar a “política de toca e foge” de Passos Coelho.
“Com esta proposta, num regime semi-presidencial, Pedro Passos Coelho põe-nos ao nível da Namíbia ou do Burkina Faso, países onde não há regras. São os eleitores que escolhem o Governo e não o presidente que o tutela”, sublinhou.
“A proposta é absolutamente desequilibrada e não tem sentido”, acrescentou.
Francisco Louçã referiu que o líder social democrata tem feito das propostas de revisão constitucional “pretextos de animação política” de verão e defendeu haver questões mais relevantes para a vida dos cidadãos do que as “apetências presidencialistas” do PSD.
Como exemplo, apontou a criação de uma taxa única de IRS (sugerida pelos sociais democratas), uma medida praticada por “direitas mais extremistas noutros países europeus” e aplicada por George Bush nos Estados Unidos com “resultados catastróficos”.


