O Bloco de Esquerda anunciou hoje que vai requerer a audição parlamentar do presidente do Instituto de Emergência Médica (INEM) para que sejam prestados esclarecidos sobre "os meios, orçamento e capacidade de resposta" do organismo em todo o território nacional.
Em declarações à Lusa, o deputado João Semedo adiantou que o requerimento para a audição na comissão parlamentar de Saúde dará entrada na Assembleia da República na segunda-feira.
A iniciativa dos bloquistas, adiantou o parlamentar, surge na sequência de vários “episódios" que envolveram o organismo, nomeadamente o que ocorreu terça-feira em Alijó, distrito de Vila Real, quando um homem morreu em casa após uma queda.
A família responsabiliza o INEM, sustentando que a viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Vila Real só chegou à aldeia "duas horas depois do pedido de ajuda" – uma informação desmentida por aquele organismo.
Gravações da ocorrência, divulgadas quarta-feira pela SIC, revelam que a operadora de serviço do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) teve dificuldades para determinar os meios necessários para responder à ocorrência e, quando contactou os bombeiros de Favaios (a corporação mais próxima) só se encontrava um bombeiro no local, o que obrigou a recorrer à corporação de Alijó de onde acabaria por sair uma ambulância vários minutos depois.
“Episódios como este revelam que não temos uma rede de emergência pré-hospitalar que assegure um funcionamento eficaz em todo o território”, afirmou o deputado, considerando “indispensável ouvir o presidente do INEM”.
“Há um conjunto de inseguranças em relação à rede de emergência pré-hospitalar que importa esclarecer", salientou, considerando que, com o caso de Alijó, “ficou claro aos olhos dos portugueses que o sistema de socorro pré-hospitalar tem imensos buracos”.
Outra das questões que o BE quer colocar na audição parlamentar do presidente do INEM refere-se à instalação do sistema de referenciação geográfica. “Há um ano, o presidente do INEM garantiu que o sistema estava à beira de ser instalado. Agora, vimos a descobrir que o sistema está ainda por instalar”, lamentou João Semedo


