O Bloco de Esquerda (BE) considera que a crise interna no PSD se deve às dificuldades de "um partido clientelar fora do poder", defendendo que Luís Filipe Menezes é um líder que "não sabia o que havia de fazer".
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o deputado bloquista Fernando Rosas afirmou que o PSD é hoje um partido "sem objectivo, sem Norte" e "um período de turbulência" para a escolha de num novo líder.
Para o parlamentar do BE, o PSD vive hoje uma "dupla dificuldade", a começar pela "dificuldade que têm todos os partidos clientelares quando estão fora do poder e vêem parte das suas elites passar para o campo que tem o poder".
A segunda dificuldade, explicou, advém do facto de "o PS estar a ocupar o espaço político, de centro-direita, do PSD".
Fernando Rosas antevê agora "um período de turbulência" nos sociais-democratas na tentativa de encontrar um sucessor para Menezes, que define como alguém que "não teve grande orientação, não sabia o que fazer".
Na noite passada, Luís Filipe Menezes anunciou que abandona a liderança do PSD e que vai propor a realização de eleições directas antecipadas para a presidência do partido para 24 de Maio.
Em conferência de imprensa, que se seguiu à reunião da comissão política do PSD, Menezes reconheceu que o partido está "muito doente", depois de ter apontado a "oposição interna nada corajosa de militantes", a "crítica permanente" e os "insultos pessoais" que, a seu ver, "destruíram o PSD, desgastaram a sua imagem de partido alternativo".


