Francisco Louçã diz “sentir” que estão prestes a acontecer os “momentos decisivos” da campanha eleitoral. Um deles aconteceu ontem à noite, num jantar-comício no edifício da Alfândega, no Porto, quando o líder bloquista acicatou uma divisão no PS sustentada num “capítulo secreto” do programa socialista.
No mesmo dia em que a eurodeputada Ana Gomes defendeu uma coligação entre o PS e o Bloco de Esquerda (BE), na eventualidade de os socialistas não atingirem a maioria absoluta, Francisco Louçã aludiu a um outro dirigente socialista, Alberto Martins (o líder parlamentar do PS, que, refira-se, esteve quase a perder o lugar de cabeça de lista pelo Porto para Teixeira dos Santos), para afirmar que “o único sopro de esquerda” no PS “desmoronou-se” na passada semana.
Tudo aconteceu quando Martins, contou, garantiu, durante uma acção eleitoral no Porto, que a ANA (Aeroportos de Portugal) não será privatizada. “Parecia ser uma boa notícia. Só que é mentira. Porque o Conselho de Ministros já deliberou que a ANA vai ser mesmo privatizada”, notou Louçã, apontando que Martins “não sabia ou fingia que não sabia”.
E acrescentou, referindo-se implicitamente ao facto de o candidato socialista estar conotado com a ala esquerda do PS (foi graças à intervenção de Manuel Alegre que continua a ser cabeça de lista pelo Porto): “O único laivo de esquerda, o único sopro de esquerda para um bem público essencial desmoronou-se em poucas horas.”
Assumindo uma nova direcção neste “momento decisivo” da campanha, Louçã espicaçou uma eventual dissensão entre os socialistas sublinhando que “há dirigentes, até o líder parlamentar, que parecem ter vergonha do seu Governo”.
Foi nesta sequência que o bloquista passou ao ataque ao programa do PS, considerando-o propositadamente omisso nos projectos de privatizações. “Há uma ausência, uma mentira no programa socialista”, disse, recuando depois às propostas eleitorais do PS nas últimas legislativas para frisar que ali já estavam incluídas as privatizações da Galp, das linhas de alta tensão, da distribuição das águas. Agora “não ouvimos disso uma palavra. Não existe a palavra privatização no programa”.
Louçã lançou então o “desafio” a José Sócrates para este explicar “como vai prosseguir a política de privatizações que tem destruído bens públicos”. De outro modo, o país não pode “confiar” no programa socialista. Porque “não são revelados os grandes negócios que estão a ser preparados”, concluiu.


