O Bloco de Esquerda (BE) acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de ser o “porteiro dos grandes interesses, dos negócios”, por alegadas pressões a favor da cimenteira Secil e da ampliação das pedreiras na Arrábida (próximo de Setúbal) por mais 37 anos.
A acusação foi feita por Francisco Louçã, coordenador da Comissão Política do BE, no encerramento de uma conferência sobre alterações climáticas, em Lisboa, organizada pelo agrupamento do Parlamento Europeu Esquerda Unida Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), a que pertencem os bloquistas.
No final do encontro, Louçã mostrou imagens de Sócrates há dez anos na RTP, quando era ministro do Ambiente, em que admitia a intervenção do Estado nas pedreiras da Arrábida, “se os valores ambientais” assim o exigissem, por exemplo, através da expropriação de terras.
Com a música da banda sonora da série “Twin Peaks” em fundo, os participantes puderam ver um pequeno filme e ouvir José Sócrates dizer que defendia a limitação das pedreiras, o que motivou muitos sorrisos e alguns risos.
Para Francisco Louçã, a notícia do semanário “Sol”, que dá conta da expansão da actividade das pedreiras, permitindo a sua duplicação “em profundidade” até 2044, é um exemplo da “banha da cobra” do executivo de José Sócrates. O semanário noticia acusações das câmaras de Setúbal, Palmela e Sesimbra ao Governo de fazer pressões a favor da SECIL.
Dirigente do Parque natural demitida
“O Governo entende que é preciso transformar-se em porteiro dos grandes interesses, dos negócios”, afirmou.
Francisco Louçã prometeu “luta” a esta decisão governamental, afirmando tratar-se de “uma questão de democracia”.
“A ganga ideológica dos liberais agressivos, como é a política dos governos de José Sócrates, é isto: garantir aos privados o que é público, garantir à Secil que pode fazer negócio com aquilo que é de todos”, disse.
O dirigente bloquista denunciou ainda “atropelos” da parte do Governo por ter sido demitida uma dirigente do Parque Natural da Arrábida “apenas porque pediu um estudo de impacte ambiental” à decisão de expandir a exploração das pedreiras.
Ainda que isso signifique “confrontação com os grandes interesses”, Louçã promete combater esta decisão e defendeu uma “política ambiental” com preocupações sociais e económicas.


