O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, afirmou hoje que os bispos apoiam incondicionalmente a liberdade de expressão, considerando que este direito não está em perigo no país.
“Evidentemente que os senhores bispos apoiam incondicionalmente os direitos fundamentais da pessoa humana e, seguramente, que a liberdade de expressão é algo de fundamental também para a Igreja” Católica, disse o padre Manuel Morujão no final de mais um Conselho Permanente da CEP, que decorreu em Fátima.
O responsável da CEP acrescentou que as declarações do bispo do Porto sobre o alegado plano do Governo para controlar os media, denunciado sexta-feira pelo jornal "Sol", são “perfeitamente aceitáveis”.
“A minha opinião é que quem tem responsabilidades acrescidas, porque é uma personalidade pública, tem obrigações maiores de coerência. Isso é um grande encargo, seja para este primeiro ministro, seja para qualquer outra pessoa. A maneira como se gere esse encargo… isso não posso responder por ninguém. Agora, que quem tem responsabilidades públicas tem um encargo reforçado de justificação, ai isso tem”, afirmou D. Manuel Clemente.
O porta-voz da CEP assegurou que este assunto não foi abordado no Conselho Permanente da CEP, mas foi matéria de corredor.
“Lendo-se atentamente as suas declarações, são perfeitamente aceitáveis e até não se vê qual seja a alternativa que possa aceitar-se se não o que ele [D. Manuel Clemente] disse”, observou o Manuel Morujão.
O responsável ressalvou ainda que as palavras de D. Manuel Clemente são claras “nos princípios, mas sem fazer aplicações concretas”.
“São princípios gerais que podem dizer respeito aos jornalistas, a mim ou a qualquer cidadão, também a quem nos governa, mas não é propriamente nada a dizer que o senhor primeiro-ministro ou o senhor Presidente da República devem fazer isto ou aquilo”, frisou.
Para o responsável, “uma andorinha não faz a primavera” e, portanto, “estas excepções não querem dizer que esteja em perigo a liberdade de expressão em Portugal”, pelo que a Igreja Católica não vê “necessidade de uma especial intervenção”.
A edição de sexta-feira do semanário Sol transcreve extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e para afastar Manuela Moura Guedes, apresentadora do Jornal Nacional, e José Eduardo Moniz, director-geral.
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas. No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, José Penedos, presidente da REN - Redes Eléctricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos.


