O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, afirmou ontem que os bispos portugueses apoiam incondicionalmente a liberdade de expressão, considerando que este direito não está em perigo no país.
No final de mais um Conselho Permanente da CEP, em Fátima, Manuel Morujão acrescentou que as declarações do bispo do Porto sobre o alegado plano do Governo para controlar os media são "perfeitamente aceitáveis". "A minha opinião é que quem tem responsabilidades acrescidas, porque é uma personalidade pública, tem obrigações maiores de coerência. Isso é um grande encargo, seja para este primeiro-ministro, seja para qualquer outra pessoa. Agora que quem tem responsabilidades públicas tem um encargo reforçado de justificação, ai isso tem", afirmou D. Manuel Clemente.
O porta-voz da CEP assegurou que este assunto não foi abordado no conselho permanente, mas foi matéria de corredor. "Lendo-se atentamente as suas declarações, são perfeitamente aceitáveis", observou Morujão. "São princípios gerais que podem dizer respeito aos jornalistas, a mim ou a qualquer cidadão, também a quem nos governa, mas não é propriamente nada a dizer que o senhor primeiro-ministro ou o senhor Presidente da República devem fazer isto ou aquilo", frisou. Para o responsável, "estas excepções não querem dizer que esteja em perigo a liberdade de expressão em Portugal".
Já a eurodeputada socialista Ana Gomes afirmou ser necessário "esclarecer se era, ou não, por instruções governamentais que a PT estava a negociar a compra da TVI à Prisa", acrescentando que, neste caso, "é o Estado de direito democrático que pode estar em causa". No blogue Causa Nossa, a socialista, ainda antes de José Sócrates voltar a falar no caso, escreve que "Portugal não precisa, não pode dar-se ao luxo, de mais nenhuma crise política", mas diz que "ela pode estar a incubar".
Na Rádio Renascença, o social-democrata Morais Sarmento salientou o facto de o procurador-geral da República "não ter visto indícios passíveis de censura, muito menos que justificassem uma investigação" às certidões do juiz de Aveiro divulgadas pelo Sol. "O país inteiro viu o que estava escrito no Sol. E depois querem que tenhamos confiança na justiça", disse.


