O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, afirmou hoje que votaria "sim" no referendo ao aborto se apenas estivesse em causa a despenalização das mulheres e não a liberalização da prática até às dez semanas.
"Sem contradição nenhuma votaria 'sim'", disse o bispo num debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) que decorreu ontem na Escola Superior de Educação de Viseu.
Como em causa no referendo está também a liberalização até às dez semanas, D. Ilídio Leandro afirmou que vai votar "não" no referendo do próximo dia 11 de Fevereiro.
Em declarações difundidas pela Rádio Noar, de Viseu, D. Ilídio Leandro considerou que "ninguém vai para o aborto por vontade própria ou por leviandade" e que a mulher "é uma vítima da sociedade e não alguém que promove a prática do aborto".
D. Ilídio Leandro reconheceu ainda que a Igreja Católica nem sempre tem assumido uma posição coerente sobre o aborto e prometeu que no dia a seguir ao referendo vai contribuir para tentar resolver o problema.
"Sobre a coerência que considero que a Igreja também deve ter — e posso dizer que não tem feito sempre tudo — no dia 12 de Fevereiro, seja qual for a resposta do referendo, a Diocese de Viseu vai anunciar algo que procura apresentar também como coerente para a ajuda aos casos e às situações que eu considero também que são, muitos deles, atentatórios da dignidade humana, seja de crianças, seja de adultos", concluiu.
A Igreja Católica é frontalmente contra a liberalização da IVG, que vai ser sujeita a referendo nacional a 11 de Fevereiro, através da seguinte questão: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".


