Belmiro apoia Cavaco porque só ele tem as “competências certas”

26.11.2010 - 18:01 Por São José Almeida
O empresário Belmiro de Azevedo divulgou hoje o seu apoio à recandidatura do actual Presidente da República, Cavaco Silva. O próprio explica, num documento de duas páginas e meia que amanhã será divulgado no PÚBLICO, que há 25 anos que não tomava uma posição pública em eleições, depois de ter manifestado o seu apoio a Mário Soares em 1985.
Uma atitude que diz ser motivada pelo facto de estar seguro de que “só o Prof. Cavaco Silva, neste momento, dispõe das competências certas - adquiridas quer como governante, quer enquanto Presidente -, para, com vontade e determinação, garantir um segundo mandato sereno e construtivo”.
Não deixando de afirmar o seu “respeito” por “todos os candidatos” e o facto de ter “ uma simpatia particular para com o candidato Manuel Alegre””, o proprietário do Grupo Sonae, onde se inclui o PÚBLICO, considera que “o que está em equação nas próximas eleições presidenciais é escolher o candidato que mais garantias pode oferecer aos portugueses”. Isto é, eleger “um Presidente à altura das nossas dramáticas circunstâncias”, pelo que “se, noutros sufrágios, existia a possibilidade de podermos usar o voto por simpatia ou experimentalismo, neste momento o sentido do voto é decisivo”.
A opção pelo candidato Cavaco Silva é ainda justificada por Belmiro com argumentos de ordem política e económica: “Com o país à deriva e uma classe política desmembrada, precisamos de um Presidente da República que possa ser um ponto de coesão e de equilíbrio. Com as pressões que se exercem sobre a nossa asfixiada economia, precisamos de um Presidente da República que ofereça segurança aos mercados. Na actual conjuntura, o país não pode ter um Presidente que minimize a importância e o contributo decisivo das empresas (grandes e PME’s) para o desenvolvimento de Portugal.”
E conclui considerando que, “com a possibilidade de o governo poder cair a qualquer momento” e “com uma Constituição que infelizmente não assegura soluções expeditas”, é preciso “um Presidente da República com a experiência suficiente para nos assegurar condições de governabilidade”. E, não escondendo que no passado teve divergências com Cavaco, remata: “Precisamos até, em suma, de um Presidente da República que possa, se tal for necessário, utilizar os conhecimentos da sua acção executiva para aconselhar os decisores e influenciar o curso das coisas.”
“Tão ou mais grave” que 1975
Belmiro de Azevedo justifica a sua atitude com a gravidade do momento que se vive em Portugal. “A actual crise económica, financeira, de liquidez e de sustentabilidade é tão ou mais grave do que a crise política de 1975, a qual levou à minha decisão de, em 1985, manifestar publicamente, e pela primeira vez, a intenção de voto nas eleições presidenciais desse ano”, sublinha, recordando que então apoiou publicamente Mário Soares.
Frisa ainda que as presidenciais “assumem uma importância que não tinham há muito”, pois Portugal chegou “a um ponto em que qualquer passo em falso nos fará cair no abismo”, já que “está em jogo a sustentabilidade do país”. E defende a necessidade de “mudar radicalmente a forma como tem sido gerido e gasto o nosso dinheiro” bem como de ser pensado “seriamente o modelo de Estado” e alterado “o paradigma da educação”.
O fundador da Sonae defende, assim, uma “aposta na ‘Educação para a Liderança’, em especial, [que] deve ser feita tanto nas universidades, como nas empresas, mas sobretudo na política, onde a formação de líderes assume particular relevância e urgência”.
Em relação ao “défice é estrutural”, sustenta que “gastamos o que não temos” e lembra que “nunca houve tantos desempregados, nunca a dívida pública e o endividamento externo foram tão elevados”, pelo que “as medidas de austeridade, apesar do optimismo das previsões do Governo, vão trazer-nos uma mais do que provável recessão”.

