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Casa Civil da Presidência da República suspeita que está a ser vigiada há ano e meio

Belém preferiu não comentar, Sócrates falou em "disparates"

19.08.2009 - 08:33 Por São José Almeida, Luciano Alvarez

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Cavaco e Sócrates no auge na cooperação estratégica Cavaco e Sócrates no auge na cooperação estratégica (PÚBLICO (arquivo))
A Presidência da República recusou ontem tecer qualquer comentário público às suspeitas avançadas por um dos seus membros da Casa Civil, mas também não as desmentiu. As suspeitas apontam para o facto de o Governo, ou o PS, estarem a vigiar os seus serviços e assessores. Já o primeiro-ministro, José Sócrates, começou por recusar falar sobre o assunto, mas acabou por alegar não poder "perder tempo a comentar disparates de Verão".

Entretanto, a informação avançada pelo PÚBLICO seria reconfirmada no final do dia de ontem pela SIC através de informações prestadas também por fontes da Presidência.

Ora, este episódio, que volta a ensombrar as relações entre Belém e São Bento, não tem as suas raízes apenas nas críticas recentes do PS à alegada intervenção de assessores de Cavaco Silva junto da equipa que redigiu o programa eleitoral do PSD. Ao que o PÚBLICO sabe, o crescente mal-estar entre Belém e São Bento começou a dar lugar à desconfiança de que o Governo de Sócrates estaria a vigiar de forma irregular a Casa Civil do Presidente há cerca de um ano e meio.

Tudo começou durante a visita de Cavaco Silva à Madeira, uma deslocação durante a qual o Presidente esteve, pela primeira vez no seu mandato, sob a constante crítica de destacadas figuras do PS. Mas o que criou mais desconforto na Casa Civil do Presidente foi o facto de o Gabinete do primeiro-ministro ter incluído na comitiva presidencial um adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo, sem nenhuma explicação natural. Até porque no grupo já viajava o número dois Governo e responsável pela ligação com as regiões autónomas, o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira.

Para além do ineditismo da situação, o desconforto cresceu devido ao comportamento de Rui Paulo Figueiredo, um militante do PS e autor de um livro crítico sobre os anos em que o actual Presidente foi primeiro-ministro - Aníbal Cavaco Silva e o PSD (1985-1995). Em mais de uma ocasião, Rui Paulo Figueiredo, que o PÚBLICO tentou, sem êxito, contactar ontem na Presidência do Conselho de Ministros, ter-se-á sentado, sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva, violando as regras protocolares. Ao mesmo tempo, terá multiplicado os contactos e as trocas de informação com alguns jornalistas do continente que se deslocaram à Madeira. A sua presença inesperada nalguns locais também levantou reservas e dúvidas a membros do Governo Regional da Madeira. Na altura houve quem considerasse que o adjunto de Sócrates se comportava como se quisesse escutar conversas para que não fora convidado.

Coincidências

Estas movimentações criaram na Casa Civil da Presidência a ideia de que pessoas ligadas a José Sócrates estariam interessadas em saber mais do que a agenda pública do Presidente. Uma ideia que perdurou. Desde o episódio na Madeira que os colaboradores de Cavaco agem com mais preocupação face aos riscos de toda e qualquer fuga de informação.

Foi neste quadro que a crispação relativamente a Rui Paulo Figueiredo aumentou em Outubro de 2008. Numa altura em José Sócrates se recusava a comentar os fundamentos do veto de Cavaco Silva ao estatuto dos Açores, o adjunto do primeiro-ministro criticou o Presidente da República num blogue onde escreve (http://camaradecomuns.blogs.sapo.pt/). Figueiredo foi requisitado, em 2005 por Sócrates ao Ministério da Administração Interna. Também já desempenhou funções autárquicas em Lisboa.

O vice-presidente do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, não se quis alongar em comentários sobre a polémica em curso, mas não deixou de "constatar" uma coincidência: "Muitos portugueses e sectores já foram denunciando a asfixia democrática, afinal ela própria terá reflexo naquilo que é hoje [ontem] noticiado."

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WEBMASTER DO PUBLICO É VERGONHA PORQUE ANTES AQUI TINHA 380 COMENTARIOS. AGORA CORTOU PARA AGORA ...

Pedro Miguel Silva

20.08.2009 14:58

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