BE recusa moção de censura à partida para não tornar inquérito em “jogo político”

27.02.2010 - 16:11 Por Lusa
O líder do Bloco de Esquerda recusou hoje transformar o inquérito parlamentar à alegada intervenção do Governo no negócio PT/TVI num “jogo político”, considerando que admitir à partida uma moção de censura é adiantar-se às conclusões.
“Creio que não devemos adiantar o trabalho de uma comissão que ainda não se formou”, disse Francisco Louçã, acrescentando que “não tem nenhum sentido transformar a comissão num jogo político”.
Segundo adiantou, “a comissão de inquérito é clareza, responsabilidade e não tem sentido estar hoje a discutir se depois de alguma conclusão que a comissão possa tirar - mas ainda não tirou porque não existe -, se se chega a alguma conclusão futura sobre a evolução do Governo”.
O dirigente bloquista, que falava à margem de um seminário dedicado a “práticas políticas possíveis para uma governação à esquerda”, no Liceu Camões, em Lisboa, recusou desta forma manifestar concordância com a posição do líder parlamentar do PSD e candidato à liderança do partido, José Pedro Aguiar-Branco, que admitiu ontem que o PSD pode avançar com uma moção de censura ao Governo se a comissão de inquérito concluir que houve intervenção do executivo no negócio da PT/TVI.
“Ontem ouvi um dirigente do PSD, candidato [à liderança do partido], fazer algumas declarações sobre o que aconteceria se a comissão de inquérito concluísse assim ou assado e só digo que o Bloco de Esquerda não faz jogo político. Quando a comissão de inquérito concluir é sobre factos, não é sobre campanhas internas de partidos e a responsabilidade que temos é responder à confusão com factos e esclarecimento”, afirmou Louçã.
Sobre a possibilidade de o primeiro-ministro ser ouvido pela comissão de inquérito, o líder do Bloco de Esquerda defende que a decisão sobre quem deve prestar esclarecimentos cabe à comissão e que o primeiro-ministro deve ser chamado se se entender que há esclarecimentos adicionais a dar.
Francisco Louçã recusou também a ideia de que a audição do primeiro-ministro em sede de comissão de inquérito parlamentar possa, por si só, provocar uma crise política, afirmando que “crise é a confusão e a opacidade”, é “aquilo que temos agora” e que a comissão de inquérito “vem acabar com essa crise”, deixando para isso um “apelo à sensatez e à responsabilidade”. “A comissão de inquérito é uma coisa muito séria. É uma forma de verificação à actividade do Governo. E por isso o Bloco de Esquerda não contribui para tirar conclusões que foram resultantes de factos que ainda não foram apurados. Cada coisa no seu tempo”, concluiu.

