BE diz que Governo está a “partidarizar” administração e acusa Passos de agir de “má fé”

09.01.2012 - 19:08 Por Lusa
O BE acusou nesta segunda-feira o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de ter agido de “má fé” durante a campanha eleitoral e de estar “a partidarizar” a administração da EDP, defendendo que o executivo deve esclarecer estas nomeações “rapidamente”.
“Eu, como todos os portugueses, ainda me lembro de ouvir Pedro Passos Coelho durante a campanha eleitoral prometer que se o PSD formasse Governo, o Governo deixaria de ser uma agência para empregar os amigos do partido. Bom, não é isso que acontece na EDP, como também não aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, nem está a acontecer em muitos hospitais empresa onde as nomeações têm, de facto, uma natureza e um cariz predominantemente partidário”, afirmou o deputado do BE João Semedo aos jornalistas no Parlamento.
Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira, Braga de Macedo e Ilídio Pinho são alguns dos nomes propostos à assembleia-geral de accionistas para integrar o conselho geral de supervisão da EDP, segundo um comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários.
“O Governo não está apenas a privatizar a EDP, está também a partidarizar a sua administração, isto traduz, do nosso ponto de vista, uma má fé por parte de Pedro Passos Coelho durante a campanha eleitoral e é absolutamente indispensável para o BE que o ministro das Finanças, urgentemente, com toda a clareza, diga aos portugueses que orientações defendeu a Parpública em relação a cada uma destas nomeações”, advogou João Semedo.
O deputado bloquista adiantou ainda que a sua bancada vai questionar Vítor Gaspar já na terça-feira, quando o governante for ouvido na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças sobre a transferência do fundo de pensões da banca.
“Nós queremos ver esta questão esclarecida rapidamente e com toda a transparência e o ministro das Finanças tem o compromisso com os portugueses para esclarecer qual foi o sentido de voto que deu à Parpública nestas nomeações”, considerou.
Para João Semedo, “é preciso saber se sim ou não, ou que pressões existiram ou não para que cada uma destas pessoas tenha sido indicada para a administração da EDP”.

