BE discorda de Cavaco acusando que resgate conduzirá a novo pedido de ajuda

06.05.2011 - 21:35 Por Lusa
O Bloco de Esquerda disse hoje discordar do Presidente da República relativamente à ideia de que o plano de resgate “é uma oportunidade” para Portugal, sustentando que as condições que este impõe conduzirão a um novo pedido de intervenção externa.
“Lamento dizê-lo, mas não considero que o Presidente da República tenha razão quando diz que este resgate é uma oportunidade para o país, este tipo de resgates tem sido feito, na Grécia, na Irlanda, tem sido uma tragédia para esses países e não abriu nenhuma solução”, afirmou o eurodeputado bloquista Miguel Portas aos jornalistas.
O dirigente e fundador do BE falava aos jornalistas em reacção à comunicação feita pelo Presidente da República, Cavaco Silva. Miguel Portas utilizou uma expressão mencionada por Cavaco Silva na sua comunicação ao país para dizer que espera que o plano acordado entre o Governo e a troika “não seja o início de um longo caminho”.
“Isso significaria que andaríamos de resgate em resgate, não é possível pôr a economia portuguesa a crescer menos dois por cento este ano e no próximo ano e pagar juros ainda desconhecidos, mas que seguramente andarão perto dos 5 por cento”, sustentou.
Na opinião do eurodeputado, caso este plano seja executado e “se os portugueses não aproveitarem a próxima eleição legislativa para dizer que este não é o único futuro possível e que recusam o pior dos futuros”, dentro “de dois anos, Portugal precisará de outro resgate, precisará de condições ainda mais difíceis e estará pior e com uma maior dívida”.
Portas disse discordar do chefe de Estado quando “diz que os interesses dos portugueses estiveram no centro das negociações” e sublinhou que “não se defendem os interesses dos portugueses quando se congelam salários e pensões, quando se aumenta o IVA, as taxas moderadoras, se retira dinheiro aos hospitais”.
“De facto, os interesses dos portugueses estiveram à mesa das negociações, mas na condição de vítimas”, vincou. Miguel Portas considerou ainda que Cavaco teve “um papel apagado” nas negociações e na sua intervenção “fez o que era expectável” dado o seu perfil político.

