O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, acusou hoje o ex-ministro das Finanças Bagão Félix de dirigir uma campanha a favor do "não" no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez financiada por milionários anónimos.
"Bagão Félix está a dirigir uma campanha milionária, financiada por uma liga de milionários anónimos", referiu Louçã durante um comício sobre a despenalização do aborto, realizado esta tarde, no Instituto Português da Juventude, em Faro.
Ao falar perante uma plateia de cerca de 70 pessoas, o líder do BE considerou "inadmissível" que Bagão Félix e a dirigente do CDS-PP Maria José Nogueira Pinto divulguem cartazes com frases como "Não queremos que os nossos impostos sejam usados", quando "utilizam rios de dinheiro numa campanha para usar o argumento de que o Estado não pode utilizar um tostão com as mulheres mais pobres".
"É preciso muita crueldade para utilizar rios de dinheiro a favor do 'não' e achem que o Estado português não pode gastar dinheiro com as mulheres mais pobres, no momento em que elas mais sofrem", afirmou.
Francisco Louçã disse não perceber "esta diferença na sociedade portuguesa", salientando que "a solução de Bagão Félix é a que se mantenha o Código Penal, que determina três anos de prisão para a mulher que tenha abortado". "Não estão a discutir um problema de impostos ou de saúde, mas sim obcecados com a ideia de que em Portugal temos de manter uma lei em que a mulher deve ser julgada", disse.
Francisco Louçã considerou ainda que, desde o referendo realizado em 1998, o "sim" passou a ser "uma força determinante na sociedade portuguesa", exemplificando com o número de deputados que alteraram a sua posição. "Hoje há quase metade da bancada parlamentar do PSD que vota 'sim', contra os três de 1998" disse Louçã, acrescentando que "quase todos os eurodeputados também votam pela despenalização do aborto".
Para o líder do BE, a adesão de profissionais de saúde, de figuras públicas da sociedade portuguesa na defesa do "sim", é demonstrativa de uma evolução, apelando ao voto no referendo de 11 de Fevereiro para combater a abstenção, que se situou nos 70 por cento em 1998.


