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Revelações da WikiLeaks

BCP não comenta possibilidade de Santos Ferreira ter quebrado sigilo bancário

12.12.2010 - 22:40 Por Cristina Ferreira

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O BCP recusou comentar as informações veiculadas pela WikiLeaks, segundo as quais o seu presidente, Carlos Santos Ferreira, se colocou à disposição dos EUA para prestar informações relativas a operações de clientes e que têm carácter sigiloso. A ser verdade, a prática pode ser considerada crime.

O PÚBLICO tentou em vão contactar o Banco de Portugal (BdP) para este prestar esclarecimentos, nomeadamente, porque as informações veiculadas dão conta de que o ex-governador, Vitor Constâncio, estava a par das movimentações de Santos Ferreira.

A ser verdade a informação, o que está em causa é a quebra de sigilo profissional previsto no regime geral das instituições financeira, regulamento que proíbe a divulgação de elementos da vida interna das instituições.

A violação do sigilo bancário, que consiste designadamente em divulgar relações com clientes, é considerada crime. Mas há uma segunda questão ainda mais grave: é que, segundo os documentos, Santos Ferreira, na qualidade de presidente de uma instituição financeira, ter-se-á prestado a facultar serviços que podem ser classificados de espionagem.

Segundo o El País, Santos Ferreira terá manifestado à administração norte-americana a disponibilidade para fazer o rastreio dos fundos e actividade financeiras iranianas e em concreto ofereceu aos seus interlocutores na Embaixada a possibilidade de o Governo dos EUA poder controlar as contas iranianas no Milleniumbcp, através de um sistema que seja satisfatório para ambas as partes.

O CEO mostrou-se ainda disponível para informar a administração dos EUA sobre as actividades financeiras do Irão. O objectivo era garantir que os EUA não penalizassem os interesses do BCP em Teerão, aonde Santos Ferreira se deslocou no último ano, apurou o PÚBLICO.

Não são até hoje conhecidos interesses ou actividades relevantes do BCP no Irão que justifiquem a disponibilidade manifestada por Santos Ferreira junto das autoridades americanas. Todas as actividades, parcerias e investimentos do banco têm de ser comunicados à CMVM, dado que este está cotado em bolsa.

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