O ex-presidente do PSD e comentador Marcelo Rebelo de Sousa disse nesta sexta-feira à noite que o Banco de Portugal deveria dar o exemplo e ser solidário com os sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses.
Carlos Costa “é um governador muito competente e isento, mas há aqui um desgaste desnecessário para ele e para a instituição, perante uma opinião pública que tem dificuldade em perceber como é que o Banco de Portugal, que é público por natureza, não acompanha o esforço público”, defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.
“Tenho dificuldade em perceber como é que um homem tão sensível politicamente não tenha percebido o desgaste político para ele e para o Banco de Portugal no debate em torno dos subsídios de férias e de Natal”, acrescentou o professor universitário.
À margem de uma iniciativa em Leiria, o comentador político enfatizou o facto de vivermos num “país que não é rico” e que “está em crise”.
Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu o mérito de Carlos Costa, “que chegou há pouco tempo” à instituição “decidido a cortar regalias” que eram desconhecidas da esmagadora maioria dos portugueses.
PSD pediu cortes
Enquanto entidade pública com autonomia, o regulador do sector bancário já tinha anunciado esta semana a manutenção do pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos colaboradores no activo, comprometendo-se em contrapartida a reduzir os custos com pessoal em 2012.
O conselho de administração do Banco de Portugal afirmou então que decidiu “manter o pagamento dos subsídios de férias e de Natal aos colaboradores no activo”, respeitando assim as convenções colectivas de trabalho.
Este anúncio levou a que o PSD apelasse à entidade liderada por Carlos Costa para que aplique os cortes previstos no Orçamento do Estado para 2012 para todo o sector público e para os pensionistas.
O CDS-PP, parceiro de coligação do PSD, também já tinha reagido a esta manutenção dos subsídios do Banco de Portugal, tendo dirigido na quarta-feira um requerimento ao governador em que pedia que a instituição esclareça se vai ou não “participar no esforço de consolidação orçamental”.


