Bagão Félix considera Bloco Central um “atrofiamento democrático”

07.05.2009 - 09:41 Por Romana Borja-Santos
O ex-ministro do Governo PSD/CDS-PP Bagão Félix disse, em declarações à Renascença, que considera o Bloco Central um “atrofiamento democrático” e um bloco de interesses que já estão a ser servidos pelo actual Governo.
Depois, Bagão Félix defendeu que a actual crise financeira não é uma crise “técnica”, mas sim uma “crise de valores, uma crise ética, que assenta na vitória da batota”, e que pode assumir uma dimensão semelhante a “crimes contra a humanidade”. O antigo titular das pastas das Finanças e do Trabalho mostrou-se mesmo a favor que as consequências da crise económica sejam submetidas ao enquadramento jurídico internacional.
Bagão Félix, ainda em declarações à Renascença, criticou também o actual executivo: “Há questões que devem ultrapassar a mera táctica e estar acima dela, sobretudo, o que eu contesto é a abordagem malabarista (…) eu acho que o actual Governo em momentos decisivos trata as pessoas como se fossem um conjunto de pessoas destituídas de bom senso e de razoabilidade e de conhecimento”. Há “manipulação das mentalidades”, acrescentou.
Ontem nem o presidente do PS, António Almeida Santos, nem o presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, colocaram de lado a ideia de se vir a formar um Governo de Bloco Central depois das eleições. Apesar disso, consideram que, por agora, é prematuro equacionar cenários pós-eleitorais, sendo preferível deixar todas as hipóteses em aberto.
Tema introduzido por Ferreira Leite
Nas últimas semanas, a questão do Bloco Central tem sido trazida a público por várias personalidades, em especial depois das últimas sondagens traçarem uma nova subida do PSD e colocarem o PS mais longe da maioria absoluta. A questão foi introduzida pela presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, que, numa entrevista recente à SIC, não foi clara na sua posição sobre a possibilidade de governar em coligação com o PS. O seu “nim” deu azo a algumas interpretações que a social-democrata considerou abusivas, tendo Ferreira Leite, entretanto, esclarecido que não está disponível para qualquer governação conjunta com o PS.
Pelo PSD, já várias personalidades rejeitaram a ideia do Bloco Central. Foi o caso do ex-candidato à liderança do partido, Pedro Passos Coelho, que disse querer ver a questão esclarecida, mas também de Marcelo Rebelo de Sousa, do líder parlamentar e cabeça-de-lista às europeias, Paulo Rangel, do antecessor de Ferreira Leite, Luís Filipe Menezes, e do líder da Madeira, Alberto João Jardim.
À esquerda, o BE e PCP também tecem fortes críticas à ideia e repescam alguns dos problemas que esta forma de governar trouxe ao país na década de 80. Uma opinião que também é partilhada, à direita, pelo CDS-PP.
Apesar disso, muitas são as vozes que têm dito que, para já e perante o clima de crise, o melhor é não descartar nenhuma hipótese. É o caso, por exemplo, do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco Van Zeller, do ex-deputado socialista João Cravinho e do deputado socialista Paulo Pedroso, que encontram algumas vantagens na “estabilidade” que o acordo pode trazer. Mesmo o porta-voz do PS, Vitalino Canas, que respondeu a Sampaio dizendo que o ideal será uma nova maioria absoluta, não colocou totalmente de lado a ideia, afirmando apenas que é "remota".

