Audições: Oposição chumba proposta do PS para agregar listas

24.02.2010 - 14:26 Por Maria José Oliveira
CDS, PCP e PSD chumbaram hoje a proposta socialista de fundir as listas do PS e do PSD para as audições na comissão parlamentar de Ética. O Bloco de Esquerda optou pela abstenção.
O requerimento apresentado pelos deputados do PS na comissão de Ética, que, segundo o coordenador socialista, João Serrano, destinava-se a “acelerar” o processo de audições através do agrupamento das listas do PSD e do PS, foi esta manhã chumbado pela oposição. A excepção coube apenas ao Bloco de Esquerda (BE), que se absteve e que insistiu na necessidade da criação de uma comissão de inquérito sobre o alegado envolvimento do Governo no negócio PT/TVI.
Agostinho Branquinho, deputado do PSD, considerou a proposta do PS como uma “providência cautelar política”, e Cecília Meireles, do CDS, criticou os socialistas pela tentativa de “desviar as atenções” ao discutir assuntos “acessórios”. Refira-se que a lista do PS, já aprovada, introduz o tema da alegada vigilância a Belém no processo de audições, com a inclusão dos nomes de dois dos jornalistas do PÚBLICO que noticiaram essa matéria: Luciano Alvarez e Tolentino de Nóbrega.
Serrano, em resposta às críticas do PSD e do CDS, notou que, apesar de o projecto do PSD atentar sobre a liberdade de expressão, a oposição “só quer discutir o controlo da comunicação social e o papel do primeiro-ministro”.
Chumbado o requerimento do PS, o presidente da comissão de Ética, Marques Guedes, esclareceu que as audições dos nomes propostos pelo PS e pelo BE (este último apresentou o nome de Fernando Lima, actual assessor político do Presidente da República) só terão início depois de ouvidos todos os nomes que compõem a lista do PSD. Marques Guedes previu ainda que o processo de audições poderá ficar concluído no final de Março.
Esta manhã foram ainda aprovados mais dois nomes propostos pelo PS: Joaquim Coimbra, accionista do semanário “Sol”, e Ana Cristina Assis dos Santos, do Conselho de Administração do jornal.
O PSD e o BE abstiveram-se na votação de Joaquim Coimbra, militante social-democrata, tendo Agostinho Branquinho explicado aos jornalistas, no final da reunião, que só se justifica a audição dos presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos órgãos de comunicação social. “Porque é que é ouvido Joaquim Coimbra e não são ouvidos outros accionistas do Sol? Isto é apenas uma manobra de diversão do PS”, afirmou.
No caso de Ana Cristina Assis dos Santos, o BE absteve-se, tendo sido o nome aprovado pelos restantes partidos.

