Assis admite mais duas excepções à disciplina de voto na adopção homossexual

07.01.2010 - 08:02 Por Maria José Oliveira
O PS vai abrir não duas, mas quatro excepções, entre os deputados socialistas, na liberdade de voto à adopção por homossexuais. Além de Sérgio Sousa Pinto e Duarte Cordeiro, mais dois deputados do PS poderão aprovar amanhã os diplomas do Bloco de Esquerda (BE) e de "Os Verdes" (PEV). Francisco Assis escusou-se a identificá-los.
Este anúncio foi feito pelo líder da bancada do PS ao fim de três horas de reunião com o grupo parlamentar, já perto da 01h00 de hoje. E, de acordo com relatos feitos ao PÚBLICO por deputados socialistas, a bancada ficou surpreendida com a novidade. Questionado pelos deputados sobre a identificação dos dois parlamentares que pediram para aprovar os projectos de lei do BE e do PEV, que prevêem também a adopção por casais homossexuais, Assis remeteu-se ao silêncio. E terá explicado que se reservava o direito de não nomear os deputados porque ainda estava a analisar a argumentação de cada um deles.
A atitude do líder parlamentar foi mal recebida pela bancada. Até porque, apesar dos protestos de alguns deputados que se insurgiram contra a abertura de excepções perante a votação dos diplomas do Bloco e do PEV, os argumentos de Assis acabaram por vingar.
Numa das suas intervenções, o líder da bancada terá mesmo feito alguma pedagogia, relembrando os percursos políticos de Sérgio Sousa Pinto, ex-líder da Juventude Socialista, e de Duarte Cordeiro, actual secretário-geral da "jota", que fizeram da legalização do casamento gay e da adopção por casais homossexuais as suas grandes causas políticas.
Ao fim de três horas estavam então apaziguados os espíritos dos deputados mais contestatários, que exigiam que a disciplina de voto definida por José Sócrates não admitisse qualquer excepção.
Contudo, a surpresa que Assis reservou para o final do encontro fez cair uma sombra sobre a reunião. Sobretudo quando o líder parlamentar rejeitou identificar as restantes excepções, envolvendo o assunto num mistério que, criticaram alguns socialistas, será desfeito no debate de sexta-feira.
Aos jornalistas, no final da reunião, Assis foi também parco em palavras sobre esta matéria. Admitiu que “haverá mais excepções” que ainda terão de ser “avaliadas”.E mais nada disse sobre o tema.
O líder parlamentar confirmou que haverá disciplina de voto para todos os diplomas em discussão na sexta-feira (ressalvando o caso dos cinco deputados independentes eleitos pelo PS, que têm liberdade de voto). E assumiu as suas divergências com José Sócrates e a bancada socialista sobre a questão do sentido de voto.
Assis preferiria dar liberdade de voto a todos os deputados, mas, disse, as suas opiniões “não têm de vencer sempre no grupo parlamentar”. “A minha opinião não era maioritária. Compreendo esta posição, que é razoável”, afirmou, negando que o consenso alcançado na reunião de ontem tenha sido “imposto” pelo secretário-geral do PS, José Sócrates.
À saída do encontro, Sérgio Sousa Pinto manifestou a sua satisfação pelo facto de a bancada ter reconhecido a sua trajectória política, que poderia ter sido “ferida na sua coerência” caso não lhe tivesse sido atribuída liberdade de voto para aprovar os projectos do BE e do PEV. “A decisão do líder e da bancada revelam tolerância e compreensão. A minha admiração e o respeito pelo partido saíram engrandecidos”, notou.

