Maria José, Maria Manuela, Maria de Fátima. Escritos assim, os nomes pouco dizem. Mas Maria José é Maria José Azevedo, Maria Manuela é Manuela de Melo e Maria de Fátima é Fátima Torres. Em comum, para além do nome mais português de Portugal, têm o facto de terem sido jornalistas e pivots dos noticiários emitidos a partir dos estúdios do Monte da Virgem da RTP.
Juntas, fizeram época na televisão portuguesa. Juntas outra vez, preparam-se agora para tentarem conquistar a Câmara Municipal de Valongo ao PSD, correndo pelas cores do PS.
Maria José Azevedo, já é público há algum tempo, encabeçará a lista socialista encarregue de tentar destronar o social-democrata Fernando Melo. Manuela de Melo será a mandatária da candidatura. E Fátima Torres encarregou-se, mais recentemente, das relações com a imprensa. Manuela de Melo, aliás, quando contactada esta semana pelo PÚBLICO durante uma reunião do Conselho da Europa, em Estrasburgo, onde estava em representação do Parlamento português, ainda nem sabia da novidade. "Agora somos as três Marias", confirma Maria José Azevedo, que atribui esta "coincidência engraçada" ao "mero acaso". "Foi um acidente de percurso", diz.
Manuela de Melo e Maria José Azevedo conheceram-se no já longínquo ano de 1976, quando a jornalista que foi vereadora da Cultura da Câmara do Porto durante 12 anos se deslocou a Lisboa para apresentar a transmissão televisiva das primeiras eleições autárquicas. Tinha entrado para a RTP em 1973, mas era já um dos rostos da informação do canal em 1974. "Nessa altura, em 1976, a Maria José também lá estava em Lisboa, acho que tinha ido apresentar o festival da canção", recorda a actual deputada. A candidata, que então era ainda locutora na RTP-Açores, confirma.
Só dois anos depois, porém, a relação entre as duas começou a consolidar-se, quando Maria José Azevedo chegou ao Monte da Virgem vinda da RTP-Açores, para fazer um estágio de um mês, já como jornalista, sendo Manuela de Melo subchefe de redacção. Fátima Torres também já lá estava e a amizade viria a ser reatada poucos anos depois, quando Maria José Azevedo pediu a transferência definitiva para o Porto.
A partir daí, os percursos de Manuela e Maria José voltaram a convergir noutros momentos, incluindo o dia de 2002 em que rescindiram ambas os contratos com a RTP, após concluírem funções como vereadoras da Câmara do Porto. A agora candidata a Valongo passou a fazer parte da equipa de Fernando Gomes apenas no segundo mandato deste e, recorda, também aí Manuela de Melo funcionou como uma "orientadora de estágio". "Foi uma imensa ajuda, deu-me a mão nos primeiros tempos, quando, para um jornalista, tudo aquilo era estranho", recorda Maria José Azevedo.
"Conhecemo-nos na televisão, mas creio que o convite que me fez resulta menos dessa convivência do que do facto de termos estados juntas oito anos na Câmara do Porto e de aí termos podido conhecer bem o trabalho autárquico uma da outra", diz Manuela de Melo.
Quanto a Fátima Torres, a saída da RTP nada teve a ver com incursões autárquicas. "Nunca mais a tinha visto desde que saí da RTP", garante Maria José Azevedo, que sintetiza assim o reencontro: "Precisava de um jornalista que me acompanhasse na campanha, mas não queria que fosse alguém em actividade. E lembrei-me da Fátima. Dou-me muito bem com ela e sei que é uma pessoa dedicada e trabalhadora."
Manuela de Melo familiarizada com o concelho
Das três, Manuela de Melo parece ser a que melhor conhece o concelho: "Sou deputada pelo distrito do Porto e já fiz campanha em Valongo, pelo que estabeleci alguns contactos importantes. E, enquanto estudante de Biologia, ia lá muitas vezes fazer trabalho de campo, recolher animais e plantas", conta a mandatária da candidatura, segundo a qual esse contacto, nomeadamente com a Serra de Santa Justa, a leva a crer que Valongo não está condenada a ser um dormitório do Porto. "Foi isso que me levou a associar-me à Maria José Azevedo", garante.


