Militares descontentes com medidas do Governo

Armada nega ter mobilizado militares para condicionar adesão ao protesto

14.09.2005 - 11:10 Por Lusa

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Apesar da decisão do tribunal, as associações de militares prometem fazer um novo protesto para dia 21 deste mês Apesar da decisão do tribunal, as associações de militares prometem fazer um novo protesto para dia 21 deste mês (Inácio Rosa/Lusa)
O Estado-Maior da Armada negou hoje que a Marinha tenha convocado exercícios navais para ontem, o dia da manifestação dos militares em Lisboa, como forma de limitar a adesão ao protesto que não chegou a realizar-se.

A acusação tinha partido do presidente da Associação de Praças da Armada, Luís Reis, que ontem à noite declarou que foram convocados exercícios navais para o dia da manifestação.

"Por causa de uma manifestação (a Marinha) pôs os navios no mar. Isso não posso admitir de maneira alguma", disse Luís Reis.

O porta-voz da Armada, comandante Gouveia e Melo, considerou hoje, em declarações à Lusa, "infundadas" as declarações de Luís Reis.

Considerou igualmente infundada uma notícia que surge hoje no “Correio da Manhã” que dá conta de que o Estado-Maior da Armada mandou várias guarnições para o mar ontem ao fim da manhã e ao princípio da tarde "para limitar a adesão das Forças Armadas ao protesto das associações militares em Lisboa".

No total, teriam sido enviados cerca de 1600 homens, escreve o jornal.

Gouveia e Melo disse à Lusa que "as missões são uma prática permanente da actividade da Marinha".

O comandante Gouveia e Melo asseverou que as missões fazem parte da actividade da Marinha e garantiu "ser totalmente falso que tenham sido marcadas para ontem com o intuito de limitar a adesão das Forças Armadas ao protesto".

"As missões são marcadas no início de Janeiro e não de propósito para desmobilizar protestos", salientou Gouveia e Melo.

O porta-voz da Armada adiantou que estão em permanência no mar - em missões de fiscalização, vigilância e treino - 12 navios com entre 1500 e 2000 homens em missão.

O “Correio da Manhã” escreve que o destacamento dos navios e a convocação de exercícios à última da hora causou um mal-estar entre os militares, que viram estas acções como uma manobra de desmobilização.

De acordo com o jornal, a Marinha portuguesa terá gasto "milhares de contos para tentar desmobilizar a manifestação de militares que ontem reuniu dois a três milhares de elementos das Forças Armadas na Casa do Alentejo e ruas fronteiras".

O matutino, que cita fontes associativas, refere também que "para evitar a presença de mais algumas centenas de manifestantes no protesto, foi determinada na Armada a realização de manobras para fuzileiros na Península de Tróia, envolvendo dois pelotões no total de 600 homens".

O porta-voz da Armada desmentiu também que tenham sido enviados repetidos avisos aos serviços com ameaças de castigos disciplinares e proibição contra a manifestação, confirmando apenas um aviso genérico.

"Na sequência da proibição da manifestação por parte do Governo, foi enviada uma mensagem aos três ramos das Forças Armadas em que se avisavam, em termos genéricos, os militares para as consequências que poderiam sofrer se avançassem com o protesto depois de ter sido proibido", disse o responsável.

A manifestação convocada para ontem à tarde não se realizou por ter sido proibida pelo Governo e posteriormente considerada ilegal pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa, ao qual os militares recorreram.

Tanto o Executivo como o Tribunal Administrativo alegaram que as associações militares, ao abrigo da Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas, não podem convocar manifestações.

As associações de militares anunciaram ontem uma nova manifestação para o dia 21 que será convocada por "cidadãos com capacidade para o fazerem".

Os militares contestam as medidas do Governo de restringir os benefícios dos seus sistemas de saúde e de reforma, bem como da passagem à reserva dos militares, cujas leis se encontram em Belém, a aguardar promulgação do Presidente da República.

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