Argélia: Sampaio homenageia Teixeira Gomes na sua última visita ao estrangeiro como Presidente 
04.03.2006 - 15:31 Por Lusa
Jorge Sampaio homenageou hoje em Bougie, Argélia, o antigo Chefe de Estado português Manuel Teixeira Gomes (1923-1925), no âmbito da sua última visita ao estrangeiro enquanto Presidente da República.
Ao inaugurar em Bougie um monumento à memória de Teixeira Gomes, numa cerimónia rodeada por fortes medidas de segurança, Jorge Sampaio disse que o antigo Presidente da República "foi e continua a ser um traço de união" entre as culturas islâmica e ocidental, bem como entre Lisboa e Argel.
"Os ideais de Manuel Teixeira Gomes continuam válidos para o nosso tempo, pois actuais continuam a ser o seu cosmopolitismo, o seu sentido de convivência enriquecedora entre culturas e civilizações, a sua devoção à paz como bem essencial para a Humanidade", disse Sampaio, considerando a homenagem um "acto de inteira justiça".
No entender do Chefe de Estado, a vida e a obra de Manuel Teixeira Gomes representam, além disso, "uma lição de curiosidade pelo mundo, de abertura ao universal, ao diverso e ao diferente", além de paradigma dos primeiros anos da República.
"Como político, embaixador e Presidente da República, Teixeira Gomes foi fiel a si mesmo e aos seus ideais. Republicano desde sempre, lutou por uma sociedade mais justa, em que todos os cidadãos vissem reconhecida a sua dignidade fundamental".
A inauguração em Bougie do busto em bronze do antigo estadista português, da autoria da escultora Irene Vilar, representa também "um testemunho" da amizade entre Lisboa e Argel, destacou Sampaio.
A visita do Presidente da República português a Bougie, a primeira de um Chefe de Estado em funções, quase parou esta pequena vila mediterrânica onde Teixeira Gomes viveu os últimos dez anos da sua vida, de 1931 a 1941.
No seu périplo por Bougie, Sampaio foi acompanhado por uma extensa e ruidosa comitiva automóvel e por milhares de populares, que lhe acenavam nas ruas, agitavam bandeiras de Portugal e da Argélia e erguendo retratos seus e do presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika.
Sampaio visitou o hotel onde viveu o seu antigo homólogo durante 10 anos, e dirigiu-se depois para uma escola onde descerrou uma lápide com o nome que será a partir de hoje o deste estabelecimento de ensino: Manuel Teixeira Gomes.
Teixeira Gomes foi eleito Presidente da República a 6 de Agosto de 1923, tomando posse a 5 de Outubro desse ano, após um percurso ligado à diplomacia, com passagens por Londres, Madrid e Sociedade das Nações. A 11 de Dezembro de 1925, perante o quadro de efervescência política, social e militar que caracterizou o final da I República, Teixeira Gomes resignou ao cargo por considerar não dispor de poderes para intervir no quadro legal imposto pela Constituição.
Seis dias depois, a 17 de Dezembro, embarcou no paquete grego "Zeus", não regressando mais em vida a Portugal.
Em 1931, instalou-se em Bougie mas continuou a colaborar com o jornal “O Diabo” e com a revista “Seara Nova”.
Manuel Teixeira Gomes morreu a 18 de Outubro de 1941, no quarto número 13 do Hotel L'Étoile, e foi sepultado no cemitério de Bougie.
Em Outubro de 1950, a pedido da família, os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério de Portimão, onde nasceu em 1862.
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