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Visita de estado à Turquia

Aprender português e ler poemas em Ancara

12.05.2009 - 19:30 Por Nuno Simas, em Ancara

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Maria Cavaco Silva tem como primeira dama, um estatuto que diz ser “um acidente de percurso”, um programa paralelo às visitas de Estado do marido.

Hoje, enquanto o presidente recebia o líder da oposição, Deniz Baykal, foi assistir à assinatura de um protocolo entre a Universidade de Ancara e o Instituto Camões para a criação de um curso de Estudos de Literatura Portuguesa, uma cerimónia em que não esteve a secretária de Estado da Cultura, Paula Santos, apesar de se tratar de uma questão cultural. Fonte da comitiva explicou ao PÚBLICO que desde o início não estava prevista a presença da secretária de Estado e que o instituto depende do Ministério dos Negócios Estrangeiros e que a governante estaria na reunião com Baykal.

Questões de protocolo à parte, Maria Cavaco Silva assistiu então a uma aula de Língua Portuguesa com alunos turcos que estão a aprender a Língua Portuguesa há sete meses, e que ainda tiveram dúvidas de como dizer “bem vinda” quando Maria Cavaco Silva lhes pediu que lhe dessem as boas vindas. Houve quem dissesse “boa tarde”, mas foi preciso o professor Tiago Paixão dar uma ajuda...

A aula era sobre a novíssima poesia portuguesa e os alunos leram alguns poemas de Paulo José Miranda e Filipa Leal, apesar da diculdade de pronunciar algumas palavras, em especial as que acabam em “ão”.

Maria Cavaco Silva confessou que como professora que é – e não como primeira dama que disse ser “um acidente de percurso” – ficava muito orgulhosa de ouvir falar português do outro lado da Europa. E também disse estar tão ou mais emocionado quando esteve na casa de Pablo Neruda, no Chile.

Cada língua que se aprende, dizia por vezes num português pausado, por vezes em inglês, “abre muitas portas”. Neste caso, com o português, abrem-se portas em África e na América Latina, no Brasil. “São mais de 250 milhões as pessoas que falam português”, uma “lúngua velha, no bom sentido”, e que se fala desde a Idade Média, disse.

A aula terminou com a leitura de um poena de um poeta turco, Orhan Veli (1914-1950), na língua original. Depois de lido em português, o poema “De Repente” foi lido em turco. Maria Cavaco Silva não percebeu, mas gostou de ouvir “a música” da língua.

Apesar de todas as dificuldades, o leitor de português, Tiago Paixão, assinalou, em declarações ao PÚBLICO, “o esforço notável” dos seus alunos em conseguirem ler poemas.

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