Ao fim de cem dias, o Governo começa a ter um choque com a realidade

28.09.2011 - 08:18 Por Maria José Oliveira, Sérgio Aníbal
Ao fim de cem dias, o Governo está a dar os primeiros sinais de que o confronto com a realidade que o país enfrenta está a ser ainda mais difícil do que aquilo que se poderia antever no início do mandado. E são três as grandes "novidades" descobertas e já assumidas pelo executivo: os cortes na despesa não são fáceis de realizar e produzem resultados lentos na redução do défice, a economia pode vir a recuar ainda mais do que estava previsto e os mercados podem continuar fechados a Portugal para além de 2013, forçando o país a ter de recorrer a uma nova ajuda dos seus parceiros europeus.
Desde o dia da tomada de posse do Governo, a 21 de Junho, que os membros do executivo têm insistido em propalar a mensagem de que Portugal é um aluno diligente, que não deixará de cumprir os compromissos acordados com a troika internacional. A ideia de que "Portugal não pode falhar" esteve desde o primeiro momento no guião governamental - foi a afirmação que rematou os discursos de Pedro Passos Coelho na cerimónia da tomada de posse e na apresentação do programa do Governo, a 30 de Junho.
Ao fim de 100 dias de Governo, a coligação não se desviou deste roteiro optimista, acrescentando até, aqui e ali, um novo argumento - o de que os feitos deste Governo irão ficar na História. Contudo, ao longo de três meses, os níveis de confiança desceram, ainda que tenuemente, devido não apenas ao legado dos anteriores governos nas contas públicas, mas também aos obstáculos nacionais e internacionais que têm travado o ritmo inicialmente programado para atingir certas metas.
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