Comissão política definiu estratégias para as legislativas

António Vitorino é o coordenador do programa eleitoral do PS

16.06.2009 - 08:38 Por Lusa

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O antigo comissário europeu vai organizar o programa de Governo do PS para as legislativas O antigo comissário europeu vai organizar o programa de Governo do PS para as legislativas (Daniel Rocha (arquivo))
O socialista António Vitorino vai coordenar o programa do PS às próximas legislativas e o ministro Vieira da Silva será o responsável pela organização da campanha eleitoral, anunciou José Sócrates na comissão política do PS, realizada ontem à noite.

Na reunião, que decorreu na sede nacional do PS, o primeiro-ministro e secretário-geral socialista, José Sócrates, anunciou ainda que a campanha terá um porta-voz, o secretário de Estado Adjunto da Justiça, João Tiago Silveira, que substituirá Vitalino Canas.

De acordo com fonte oficial, para além da sua análise aos resultados das eleições europeias de 7 de Junho, Sócrates apresentou também um “plano de acção” visando a preparação das próximas eleições legislativas e no qual se integra a escolha dos nomes para coordenar a campanha.

O PS definiu ontem o reforço do “combate político” contra uma “direita neoliberal” e uma “esquerda demagógica e populista” como estratégia para vencer as próximas legislativas, depois de reconhecer “eventuais erros”. Nesta primeira reunião da comissão política após as europeias, que deram a vitória ao PSD, dirigentes socialistas e o secretário-geral José Sócrates defenderam a necessidade de uma “atitude de humildade” para reconhecer “eventuais erros”.

Depois da análise dos resultados, os socialistas concentraram-se na estratégia para as próximas eleições legislativas, com Francisco Assis a admitir que a governação socialista poderá ter causado “algumas irritações”, mas a defender que o tempo agora “é de combate político” para afirmar o PS como a “esquerda séria e responsável”.

"O importante é reforçar a dimensão política do nosso discurso e travar os combates que devem ser travados, nomeadamente o combate a uma direita que representa um modelo neoliberal falhado e um combate contra partidos à esquerda que representam uma forma de esquerda arcaica de partidos meramente tribunícios ou partidos demagógico-populistas", afirmou Assis, em declarações aos jornalistas.

Depois de o ministro e dirigente do PS Augusto Santos Silva ter defendido, à saída da reunião, que apesar dos “sinais de insatisfação” não há razões para o Governo fazer qualquer inversão na sua estratégia, Assis frisou que, a haver mudanças, elas serão feitas no âmbito do próximo programa eleitoral, que será coordenado por Vitorino. “Não são correcções. São inovações e transformações que temos que fazer. Quando eu falo na necessidade de reforçar a dimensão política no combate que temos que travar isso é também alguma correcção a algumas coisas que não terão corrido tão bem no passado”, admitiu, afirmando ainda que o PS não deve entrar “num processo depressivo”.

Aposta na saúde, educação e segurança social

A defesa da saúde e educação públicas bem como a defesa de um sistema de segurança social universal serão as prioridades do PS nos próximos meses – áreas que os socialistas apresentarão como marcas de “uma esquerda responsável” e que foram também destacadas por José Sócrates.

Quanto a objectivos eleitorais, o secretário-geral reafirmou, no final da reunião, que mantém o apelo à maioria absoluta definido no Congresso de Março, depois de no início ter falado em “maioria parlamentar que dê condições para governar”. Sócrates precisou que entende que uma maioria que dê condições para “governar sozinho” é uma maioria absoluta.

Por seu lado, Carlos César, presidente do Governo Regional dos Açores, considerou indispensável que o PS tenha “mais abertura” e “retome a sua energia”. “Hoje foi um contributo. É indispensável pensar no programa do Governo, na abertura do PS, na retoma da sua energia. Tudo isso implica não só a convocação de outros níveis de intervenção do PS como também de outros sectores independentes, desavindos”, disse.

Também a eurodeputada Ana Gomes se manifestou satisfeita com a comissão política, que disse ter sido de “uma boa reunião de análise e de estratégia política”.

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