António Vitorino não partilha da opinião do ministro Vieira da Silva, que foi também subscrita pelo ministro Augusto Santos Silva, de que, no processo Face Oculta, o país assistiu a situações de espionagem política – uma posição assumida pelos dois governantes por causa das escutas a José Sócrates e a Armando Vara. No espaço de opinião na RTP ontem à noite, Vitorino afirmou não concordar com esta posição.
“Eu acho que ‘espionagem política’ é uma expressão excessiva e inadequada. Suponho que há aqui uma intencionalidade, um centro difusor qualquer, e, manifestamente, essa interpretação parece-me que faz subir a temperatura política, mas não ajuda ao esclarecimento da questão, e o esclarecimento da questão é: há, ou não há, vulnerabilidades na utilização do sistema de escutas em Portugal?”
Por seu lado, Vera Jardim, antigo ministro da Justiça, também afirmou á Rádio Renascença não concordar com a tese defendida por Vieira da Silva, acrescentando que “a justiça não se deixa condicionar por esse tipo de comentários”.
“Eu acho que se fala demais hoje. Os agentes da justiça e as altas entidades da justiça, se me permitem a crítica, acho que se fala de mais. Era bom falar de menos. Falar na altura própria, falar quando é preciso, quando é necessário e quando é legalmente exigível. Acho que se fala demais e isso cria algum ruído”, afirmou.
Vera Jardim falava no programa "Falar Claro", em que Morais Sarmento considerou graves as acusações de “espionagem política” por parte de membros do Governo: “Mas grave ainda é que apareçam responsáveis que não são descuidados a dizer que há uma ‘espionagem política’. Estão a dizer que o responsável da Polícia Judiciária, o magistrado do Ministério Público e o magistrado judicial que concluíram pela existência de indícios de prática de crime pelo primeiro-ministro naquelas conversas estavam a fazer espionagem?!”


