António Lobo Xavier vê subida de impostos como inevitável após as eleições legislativas

11.05.2009 - 22:40 Por Sofia Rodrigues
Veio como militante do CDS-PP, mais do que como comentador, para lançar aquilo a que chamou “provocações”: rejeitar as responsabilidades da ideologia conservadora na génese da crise financeira internacional e alertar para o day-after da recessão.
Nessa altura, quando Portugal chegar a um défice elevadíssimo, António Lobo Xavier não tem dúvidas de que a solução adoptada para equilibrar as contas públicas será a de aumentar os impostos “não só dos ricos, mas de todos”.
Convidado para intervir nas jornadas parlamentares do CDS-PP, a decorrer em Aveiro, o ex-líder parlamentar disse estar convencido de que essa será a forma “de controlar o défice” de Portugal no final de 2009, apesar de não ser defensor dessa solução. Esse day-after da crise não será ultrapassado com medidas exigidas pela esquerda como uma maior tributação dos prémios dos gestores, defendeu o fiscalista, deixando um conselho ao CDS: “Deve fazer parte do discurso político obrigar o primeiro-ministro a dizer qual o plano que tem para depois das eleições.”
Na análise de Lobo Xavier sobre economia, o aparecimento de propostas como tributar mais os ricos nascem do “falhanço” do combate à crise, dos poucos resultados obtidos, apesar de todo o dinheiro que foi injectado na economia. “Se acabaram a imaginação e os instrumentos e não há resultados, então sirva-se um pouco de circo, e se o povo começa aos gritos, a querer tributar 75 por cento das remunerações dos gestores ou [a criar] imposto das grandes fortunas, a tendência do poder é soltar Barrabás”, disse, referindo que é o PCP e o BE que “pedem para soltar Barrabás”. Para Lobo Xavier, essas medidas são de uma “demagogia insuportável”, e até ineficazes: “Os ricos fogem, os trabalhadores num país com pouca mobilidade como o nosso não fogem.”
Seria preferível defender soluções como o fim da isenção de tributação de mais-valias de acções ou o termo das excepções dos hotéis no pagamento de IMI, exemplificou.
O discurso de Lobo Xavier também se posicionou contra a corrente da “esquerdização” sobre a génese da crise financeira internacional. Admite que houve “problemas éticos” e “malfeitores de delito comum”, mas rejeita responsabilidades da ideologia conservadora defensora da economia de mercado, apontando falhas “no plano da ética corporativa, dos negócios em matéria de risco bancário, de fixação de remunerações e de regulação”.

