António Costa considera que passeio da GNR em Lisboa não foi uma manifestação

30.11.2006 - 15:41 Por Lusa
O ministro da Administração Interna considera que o passeio de ontem de profissionais da GNR, em Lisboa, não foi uma manifestação.
"Houve uma reunião na Casa do Alentejo e depois uma delegação entregou no Ministério da Administração Interna um documento", disse António Costa, distinguindo "claramente" as iniciativas das Forças Armadas e da GNR.
Há uma semana, várias centenas de elementos dos três ramos das Forças Armadas — a maioria na reserva e na reforma, mas também alguns no activo e fardados — realizaram um passeio de protesto em Lisboa contra cortes orçamentais no sector, iniciativa que o Governo Civil considerou ilegal.
O ministro com a tutela das forças de segurança, que esteve hoje presente na cerimónia de compromisso de honra de 941 novos soldados da GNR, prometeu ler o documento entregue ontem pela delegação no seu ministério.
O governante foi recebido em Portalegre com assobios por familiares dos novos soldados, mas atribuiu esse facto ao atraso de meia hora, recusando a ideia de qualquer descontentamento com a política do Governo para o sector.
Ontem à noite, o presidente da APG/GNR, José Manageiro, disse, após ter sido recebido no MAI, que "foi reconhecida a justeza das reivindicações" dos militares da corporação.
"Viemos entregar a moção aprovada em plenário na Casa do Alentejo. Fomos recebidos por dois assessores do ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, que reconheceram a justeza das nossas reivindicações", disse José Manageiro, à saída da audiência.
A moção foi aprovada por unanimidade num plenário de sócios da APG, com a participação de várias dezenas de profissionais da GNR, seguindo-se um passeio até ao ministério.
Tendo em conta "as dificuldades e os anseios" que sentem, os militares da GNR deliberaram transmitir à tutela governamental, através da moção, "repúdio por um sistema de saúde, um horário de serviço e um sistema de progressão na carreira em nada compatíveis com as exigências, o risco e a permanente disponibilidade" a que se dizem sujeitos.
Além disso, a moção veicula "protesto pelo desprezo a que o Governo votou os profissionais da GNR, que se vêem obrigados a exercer funções em instalações que ameaçam ruir e com equipamentos obsoletos".

