António Arnaut acusa de "delação" magistrados que denunciaram pressões

14.05.2009 - 16:17 Por Graça Barbosa Ribeiro
O socialista António Arnaut comentou hoje o caso das pressões alegadamente exercidas por Lopes da Mota aos dois procuradores que investigam o processo Freeport acusando estes magistrados de “delação”, por terem permitido que chegasse à opinião pública “uma conversa privada”.
“Qualquer coisa que se passasse – e eu não sei o quê – seria uma coisa interna. Pelo que houve, até, alguma infidelidade ou deslealdade desses magistrados em relação ao Procurador-Geral da República, que é seu superior hierárquico”, considerou Arnaut, em Coimbra. O advogado frisou ainda que, para além disso, “nenhum magistrado que se preze pode dizer que foi pressionado”. “Se me dissessem a mim para agir de determinada maneira eu nunca me consideraria pressionado, porque eu não sou pressionável”, explicitou, dirigindo-se aos jornalistas.
António Arnaut referiu-se ao assunto de forma espontânea, imediatamente a seguir à cerimónia em que foi apresentado como o mandatário distrital de Coimbra do candidato do PS ao Parlamento Europeu, Vital Moreira.
Logo de início, quando questionado pelos jornalistas, Vital escusou-se a comentar as afirmações feitas na véspera, quando defendeu que suspendia as funções caso estivesse no lugar do presidente do Eurojust, Lopes da Mota, a quem foi aberto um processo disciplinar devido às alegadas pressões. “Não vou dizer outra vez o que é que disse ontem, está gravado e não vou repetir a mesma coisa – o que está dito está dito”, afirmou.
Foi nesse momento que, por iniciativa própria, Arnaut, que acompanhava o candidato, se referiu ao assunto. O advogado viria, no entanto, a ser interrompido por Vital, que pôs fim às perguntas dizendo não ser aquele “o tema” do encontro.

