Almeida Santos não acredita que caso Freeport “ensombre” congresso do PS

27.02.2009 - 19:07 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes
O presidente do PS Almeida Santos afastou hoje a ideia de que o caso Freeport possa vir a “ensombrar” o congresso e manifestou a sua confiança na justiça. “Se se fizer justiça, não ensombra, porque há uma coisa chamada presunção de inocência, que a comunicação social nem sempre respeita”, declarou Almeida Santos à chegada à Nave Polivalente de Espinho, onde vão decorrer os trabalhos do XVI Congresso socialista, que deverá começar dentro de uma hora.
Com as cores da bandeira nacional (o verde, o vermelho e o amarelo) a dominarem o cenário que decora a tribuna onde o líder do PS, José Sócrates, deverá fazer a sua primeira intervenção ao início da noite de hoje, a organização do congresso aposta no recurso a sofisticados meios tecnológicos para garantir uma grande mediatização num momento que é encarado internamente como “o arranque” para o vertiginoso ciclo eleitoral deste ano.
Ao falar aos jornalistas, Almeida Santos rejeitou as acusações de que “há medo no PS” e contornou a pergunta aludindo à crise económica que leva os portugueses a temerem pela segurança do seu emprego. “Onde é que está o medo? Contra quem?”, questionou, retoricamente, admitindo que o receio que existe é do desemprego.
Nos corredores do congresso, a questão de Manuel Alegre aparecer em Espinho dominava a atenção dos jornalistas, mas a incógnita mantém-se. “Ele é dos nossos, é do PS, muitas vezes trem posições que achamos incómodas, pouco adequadas, mas não de outra coisa que não seja a sua liberdade de exprimir. E no PS não há delito de opinião”, reagia José Lello ao ser interpelado sobre os jornalistas sobre se espera que Alegre fosse neste congresso o rosto da oposição a José Sócrates. “Se ele vier ao congresso, é um contributo válido para o debate; se não vier, não faço nenhuma extrapolação”, acrescentou.
Sobre o eventual anúncio do cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu - um das outras questões em aberto neste conclave -, José Lello fez depender a revelação do nome da “avaliação de José Sócrates”. Ou seja, só o líder é que pode decidir se será ou não oportuno aproveitar o congresso para lançar a candidatura.
Com o início marcado para as 19h30, o pavilhão da nave de Espinho estava ainda muito vazia e a, esta hora, eram ainda poucas figuras de primeiro plano do partido a tomarem os seus lugares.

