Almeida Santos e António Capucho consideram prematuro falar em Bloco Central

06.05.2009 - 10:13 Por Romana Borja-Santos
Nem o presidente do PS, António Almeida Santos, nem o presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, colocam de lado a ideia de se vir a formar um Governo de Bloco Central depois das eleições. Apesar disso, consideram que, por agora, é prematuro equacionar cenários pós-eleitorais, sendo preferível deixar todas as hipóteses em aberto.
Segundo Almeida Santos, citado pela TSF, “é sempre possível” haver um Bloco Central mas “quem tem que ajuizar é o vencedor das eleições”, que deve “ver se tem condições para governar em maioria relativa, ou não tem”. O socialista sublinha, no entanto, que, caso o seu partido não vença as eleições com maioria absoluta, pode optar por governar com maioria relativa.
“Não façamos um drama pelo facto de qualquer Governo ter que governar em maioria relativa. Não tem a mesma estabilidade, é verdade, mas pode governar. E também não partamos do princípio de que um partido como o PS, que neste momento tem numa sondagem da Universidade Católica, que são as mais credenciadas, 41 por cento, que está a três pontos, no máximo quatro, da maioria absoluta, que não vá ter essa maioria absoluta”, defendeu.
Por seu lado, António Capucho, em declarações à mesma rádio, também admitiu esperar pelos resultados das eleições. Apesar de considerar remota a possibilidade de se viver um novo Governo de Bloco Central, o social-democrata diz não a descartar num contexto extraordinário de crise económica que estamos a viver. E explicou: “Admito que seja necessária uma solução muito sólida de Governo. Portanto, não afasto essa possibilidade liminarmente. No espectro das hipóteses de formação de um Governo com alguma estabilidade, essa hipótese [do Bloco Central] mantém-se”.
Seja qual for o cenário, para o ex-ministro da Qualidade de Vida do antigo Governo de Bloco Central o importante é que tanto PS como PSD estejam disponíveis para celebrar acordos parlamentares sobre várias áreas. “Sou defensor de acordos de incidência parlamentar. Mesmo na situação de um Governo com maioria absoluta, acho desejável, face às dificuldades que o país atravessa, [...] que os dois grandes partidos, e outros, se associem em acordos de regime que tenham a ver com objectivos concretos para a legislatura”, sublinhou.
Ferreira Leite introduziu tema
Nas últimas semanas, a questão do Bloco Central tem sido trazida a público por várias personalidades, em especial depois das últimas sondagens traçarem uma nova subida do PSD e colocarem o PS mais longe da maioria absoluta. A questão foi introduzida pela presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, que, numa entrevista recente à SIC, não foi clara na sua posição sobre a possibilidade de governar em coligação com o PS. O seu “nim” deu azo a algumas interpretações que a social-democrata considerou abusivas, tendo Ferreira Leite, entretanto, esclarecido que não está disponível para qualquer governação conjunta com o PS.
Pelo PSD, já várias personalidades rejeitaram a ideia do Bloco Central. Foi o caso do ex-candidato à liderança do partido, Pedro Passos Coelho, que disse querer ver a questão esclarecida, mas também de Marcelo Rebelo de Sousa, do líder parlamentar e cabeça-de-lista às europeias, Paulo Rangel, do antecessor de Ferreira Leite, Luís Filipe Menezes, e do líder da Madeira, Alberto João Jardim.
À esquerda, o BE e PCP também tecem fortes críticas à ideia e repescam alguns dos problemas que esta forma de governar trouxe ao país na década de 80. Uma opinião que também é partilhada, à direita, pelo CDS-PP.
Apesar disso, muitas são as vozes que têm dito que, para já e perante o clima de crise, o melhor é não descartar nenhuma hipótese. É o caso, por exemplo, do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco Van Zeller, do ex-deputado socialista João Cravinho e do deputado socialista Paulo Pedroso, que encontram algumas vantagens na “estabilidade” que o acordo pode trazer. Mesmo o porta-voz do PS, Vitalino Canas, que respondeu a Sampaio dizendo que o ideal será uma nova maioria absoluta, não colocou totalmente de lado a ideia, afirmando apenas que é "remota".

