Alegre repudia aumento de impostos e critica mediação de Cavaco Silva entre PS e PSD

28.09.2010 - 08:25 Por Lusa
O candidato à Presidência da República Manuel Alegre condenou hoje a “grande confusão entre as funções presidenciais e a campanha do candidato Cavaco Silva”, rejeitando as recomendações feitas pela OCDE para a economia portuguesa.
À entrada do Clube dos Pensadores, que decorreu em Gaia ontem à noite, quando questionado pelos jornalistas sobre a actuação de Cavaco Silva na questão do Orçamento do Estado para 2011 (OE2011), Manuel Alegre respondeu que o Presidente da República “não está a mediar coisa nenhuma” num processo que, nos últimos dias, tem resultado na troca de acusações entre PSD e Governo.
“O Presidente da República está sobretudo a fazer a sua campanha eleitoral. Há uma grande confusão entre as funções presidenciais e a campanha do candidato Cavaco Silva. Acho que isso não é bom nem para ele próprio nem para a transparência e a saúde da República”, considerou o candidato presidencial apoiado pelo PS e pelo BE.
Relativamente aos encontros que a partir de amanhã Cavaco Silva vai manter com os partidos, Manuel Alegre salientou que “quem decide [sobre o OE2011] são os partidos políticos”, acrescentando que houve “um excesso de dramatização da situação e que alguns setores perto do Presidente ou do partido que o apoia contribuíram para isso, provavelmente para que ele apareça como salvador da situação”.
Manuel Alegre considera que “houve dramatismo das pessoas, que apelaram à senhora Merkel, à Alemanha e à intervenção do Fundo Monetário Internacional [FMI]”. E afirmou: “O que me choca muito porque eu acho que nós somos capazes de resolver os nossos problemas.”
Portugal não precisa do FMI, frisou Alegre, recordando que é da geração em que houve uma intervenção semelhante no país e que isso é “muito doloroso para os mais fracos e os mais pobres”.
Sobre as recomendações feitas pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) para a economia portuguesa, Manuel Alegre afirmou que “devem ser vistas com um espírito muito crítico e não seguidista”, já que muitas das propostas feitas são as “mesmas” que estiveram na origem da crise atual.
“Penso que as mesmas soluções e as mesmas causas produzirão os mesmos efeitos”, sublinhou.

