Cavaco Silva evitou pronunciar-se sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP. O senhor classificou aquele país como uma petro-ditadura. Se fosse Presidente, teria tomado alguma iniciativa para impedir essa adesão?
Sim, teria. Numa entrevista perguntaram ao Presidente o que pensava [na recente visita a Cabo Verde] e respondeu que o Presidente Pedro Pires [Cabo Verde] "é muito pragmático". Fiquei sem saber qual era a opinião dele. Os estatutos da CPLP têm a ver com a língua, mas não só. Falam de direitos humanos e de democracia. A Guiné Equatorial não é um país de língua portuguesa. Não é um país democrático. Há uma férrea ditadura, com presos políticos, tortura e mortes. A entrada de um país destes contamina os estatutos da CPLP. Já defendi a necessidade de uma componente militar para a CPLP, que dá outro peso político e outra dimensão à CPLP. Permitiria até resolver alguns problemas que têm surgido na Guiné-Bissau sem que sejam forças fora da comunidade a terem interferência nisso.
Qual acha que deve ser o papel no contexto internacional?
É a comunidade de países da mesma língua, uma comunidade económica, cultural e até que tenha um peso político próprio. Abrange as duas margem do Atlântico, com poder de atracção.
E essa força militar serviria para quê?
Hoje já existe cooperação militar. Não estou a defender um exército da CPLP. Estou a falar de forças militares de intervenção que possam resolver problemas, nomeadamente como aqueles que surgiram na Guiné, onde a democracia e a estabilidade estão a ser postos repetidamente em causa pela intervenção excessiva dos militares. Essas situações poderiam resolver-se com uma dissuasão militar. Isso poderia ser feito com forças da CPLP e não há nisto uma visão neocolonialista.


