O candidato presidencial Manuel Alegre considerou hoje incorrecto que perante o ataque especulativo contra Portugal Cavaco Silva faça afirmações que possam ser interpretadas como interferência nas opções do Executivo e como uma oposição ao investimento público.
Ontem, em declarações aos jornalistas no final de um seminário económico luso-moçambicano, o Presidente da República defendeu que “faz sentido reponderar” todos os investimentos que utilizem pouca produção e mão-de-obra nacional. “Eu entendo que faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa”, sustentou.
Em declarações à Lusa, Manuel Alegre considera que o Presidente da República “manifestou uma clara reserva em relação a opções do Governo”. “Não me parece correcto que, em período de crise, perante o ataque especulativo contra Portugal e o Governo, o senhor Presidente da República faça afirmações que podem ser interpretadas como uma interferência nas escolhas do Executivo e como uma oposição ao investimento público”, apontou o candidato presidencial.
Manuel Alegre, que na terça-feira formaliza a sua candidatura presidencial em Ponta Delgada, recordou depois a opção de Franklin Roosevelt, antigo presidente dos Estados Unidos, que seguiu os conselhos do economista John Maynard Keynes na resposta à crise do final da década de 20. “Recordo que o Presidente Roosevelt, a conselho de Keynes, utilizou o investimento público como uma das armas para enfrentar e vencer a crise”, referiu Manuel Alegre.
Ainda em relação às declarações de Cavaco Silva, Manuel Alegre acrescentou que “esta deve ser uma hora de solidariedade institucional e não de afirmações que gerem crispação e enfraqueçam a posição de Portugal”.


